quarta-feira, 8 de março de 2017

Lugar de mulher é onde Deus quer

Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; 
que se cumpra em mim conforme a tua palavra. 
E o anjo se ausentou dela (Lc 1:38).

É interessante notarmos como Maria recebeu a grandiosa missão de ser a mãe do Salvador. O anjo Gabriel ao se achegar para dar-lhe a notícia de que ela conceberia e daria a luz a Jesus, disse que ela havia recebido o favor de Deus (v.30), afinal, se tornaria a mãe do Filho do Altíssimo.

Mas, algo que deve nos encantar também é a forma como ela recebe a sua missão. Ela diz: "Estou aqui, faça-se conforme a tua palavra". Ela estava pronta, porque o lugar dela era onde Deus quisesse.

Recentemente uma expressão tem tomado força na mídia, especialmente nas mídias sociais, a ideia de que Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser, rebatendo a ideias de que o lugar da mulher não se restringe à cozinha, por exemplo.

Deus estabeleceu papéis específicos para a mulher. Dessa forma, o seu lugar (assim como dos homens) não é onde ela quiser, mas onde Deus quer.

O que Deus requer da mulher? Que seja auxiliadora (Gn 2.18,20); que seja sábia (Pv 14.1); que seja uma esposa prudente (Pv 19.14); que seja virtuosa, batalhadora e tema ao Senhor (Pv 31.10ss); que sejam submissas ao marido, como a igreja é submissa a Cristo em temor a Deus (Ef 5.22,24); que andem piedosamente (1Tm 2.9).

Ao compreender essas verdades, você, mulher, deve ser como Maria e dizer: "Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra".

segunda-feira, 6 de março de 2017

Não parece, mas está no plano de Deus - Gênesis 37

Leia Gênesis 37

O plano de Deus é uma doutrina fundamental dentro da Teologia. A palavra do Senhor nos diz que Deus faz todas as coisas conforme o conselho de Sua vontade (Ef 1:11). O que significa plano de Deus? É a decisão eterna de Deus em tornar certa a concretização de todas as coisas. Creio, com base nas Escrituras, que tudo acontece por estar no plano de Deus. "Deus nada faz sem um plano ou razão", assim creio.

Sendo assim, iremos contemplar algumas verdades nas Escrituras acerca do plano de Deus. A partir da exposição de Gênesis 37 espero que compreendamos um pouco melhor acerca do plano eterno de Deus.

Leiamos os primeiros quatro versículos (vv. 1-4) para “visualizarmos” os personagens. 

1. Iniciamos com uma pausa. Esta é a história de Jacó (v.2). Perceba que a história de Jacó é narrada a partir do capítulo 25, em que Esaú vende o seu direito de primogenitura até o capítulo 35 em que narra os seus descendentes. O capítulo 36 é um “intervalo”, narrando os descendentes do irmão de Jacó, Esaú. Depois desse “intervalo”, Moisés (autor do livro de Gênesis) termina o relato no início do v.2 do capítulo 37. Jacó e sua família moravam na terra de Canaã, a terra que havia Deus havia prometido à Abrão e sua descendência (13:12,14,15). Mas, ainda não era o tempo de desfrutar daquela terra. Algumas coisas ainda teriam que acontecer.

2. José e seus irmãos apascentavam os rebanhos do pai. José era um jovem de 17 anos e que constantemente trazia “más notícias” dos seus irmãos ao seu pai. Há quem interprete esse relato como mexerico ou fofoca. A ideia seria a de que José fazia fofoca dos seus irmãos ao seu pai. Más notícias, dependendo do contexto, podem significar “mexerico, difamar ou má fama, infamar”. Neste contexto, no entanto, fica claro (ao meu ver) que José levava “más notícias” dos seus irmãos de coisas ilícitas que eles praticavam. Ao que parece, também, era algo que o pai pedia (v. 14).

3. Israel amava mais a José e, além disso, fez “uma túnica talar de mangas compridas”, era um "casaco multicolorido", ou "uma vestimenta cerimonial com ornamentos", como se fosse vestes reais, destinadas a um rei. Isso provocou a ira dos irmãos de José, os quais não tratavam mais com paz (v.4).

Iremos agora adentrar nos próximos versos e compreender um pouco acerca do plano de Deus.

I. Os sonhos de José e o plano de Deus (vv. 5-11).

Havia algo especial em José. Ele sonhava. Ah, mas todos nós sonhamos! A diferença é que os sonhos de José tinha um propósito especial: eles revelavam o plano de Deus. Os sonhos de José revelavam as coisas que iriam acontecer. 

O primeiro sonho de José: Ele e seus irmãos atavam/amarravam feixes/palhas. De repente, o feixe de José se levantou e os feixes de seus irmãos o rodearam e se inclinaram diante dele, como se inclina para um rei. Isso indicava o que aconteceria com José e seus irmãos. José estaria numa alta posição diante de seus irmãos, os quais iriam inclinar-se perante ele. Isso despertou ainda mais ódio de seus irmãos (v. 8).

O segundo sonho de José: O sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante ele. O sonho indica que o seu pai, sua mãe e seus onze irmãos se prostrariam perante José, como se prostra diante de um rei. Além do ódio de seus irmãos, José ganha repreensão de seu pai.

No entanto, chama-nos à atenção o v. 11. Os irmãos de José têm ciúmes dele, ao passo que o pai “considerava o caso consigo mesmo”. Embora tenha repreendido José, Jacó entende que aquilo deve significar alguma coisa. Ao menos ele passa a reconhecer que Deus pode estar querendo lhe mostrar algo naqueles sonhos de José. 

Deus havia feito uma aliança com Jacó, onde passou a ser chamado Israel. Deus prometeu lhe dar a terra que havia prometido aos seus pais Abraão e Isaque (35:10-12). Talvez Jacó tenha pensado acerca dessa promessa que Deus lhe fez e passou a juntar as peças do quebra-cabeças.

Então, perceba que o plano de Deus não acontece da maneira que gostaríamos, mas como ele quer. 

II. O plano de Deus não pode ser impedido (vv. 12-28).


José é enviado por seu pai para trazer notícias de seus irmãos enquanto estes estão apascentando o rebanho. Quando José está a caminho e é avistado por seus irmãos, logo tramam algo contra ele (v.18).
O plano inicial era matar José. Vejam a que ponto pode chegar o ódio, o ciúme e a inveja. Se cultivarmos em nosso coração tais sentimentos seremos capazes de praticar as mais terríveis atrocidades. Devemos ter cuidado com este tipo de sentimento. Aqueles homens chegaram a cogitar matar o próprio irmão.

A ideia era matar José, jogar num buraco e publicar a notícia de que ele havia sido morto por algum animal. Era uma tentativa de apagar aqueles sonhos de José (vv. 19-20). No entanto, o primogênito de Jacó, Rúben, um pouco mais sensato, não queria que lhe tirassem a vida. Mas, o jogassem num buraco no deserto. Na verdade, seu plano consistia em livrar José e leva-lo de volta para casa (v. 21-22).
A inveja fez com que os irmãos de José arrancassem dele suas finas roupas que ganhara do seu pai e o jogassem no buraco, equivalente a uma cacimba, mas sem água (v. 24).

Enquanto José está naquela cacimba, seus irmãos avistam uma caravana de ismaelitas, vendedores e compradores de mercadorias. José foi vendido a eles como um escravo. José foi levado ao Egito (v.28). Ao que parece, Rúben havia se ausentado por um momento, enquanto os outros venderam seu irmão (vv. 29-30).

Veja irmãos, que aqueles homens não estavam felizes com o plano de Deus e achavam que eliminando José, aquilo que havia sonhado não aconteceria. Vocês conhecem o restante da história no livro de Gênesis. O plano de Deus não pode ser impedido. Todas as coisas cooperam para que o plano de Deus seja cumprido. O desígnio de Deus é perfeito e se cumprirá. O Seu plano é eficaz. Jó disse: “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido” (Jó 42.2). Sendo assim, aquilo que Deus nos prometeu em sua palavra ele cumprirá, não tenha dúvida.

III. O plano de Deus não exclui a responsabilidade do homem.

Os irmãos de José estavam errados e pecaram , mesmo que aquilo fizesse parte do plano de Deus. Essa é uma grande verdade da teologia: a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Vemos claramente que os irmãos de José foram movidos por ódio, ciúmes, inveja, o plano para matá-lo ou escondê-lo de seu pai, demonstram que estavam agindo pecaminosamente. Eles eram responsáveis por seus atos, embora eles estivessem dentro do plano de Deus. O Senhor é especialista em transformar o mal em bem para cumprir os seus propósitos.

IV. O plano de Deus não exclui o sofrimento.

Os irmãos de José forjaram uma situação para que Jacó pensasse que José havia morrido (vv. 31-36). Mataram um bode, melaram de sangue a roupa de José e entregaram a Jacó, para que ele pensasse que José foi morto por um animal. Jacó rasga suas vestes como um sinal de luto e tristeza (v.34). Jacó iria ficar de luto até a morte, onde se juntaria ao seu filho (v.35).

Aqui nós percebemos que o plano de Deus não exclui o sofrimento. O plano de Deus é belo, perfeito e santo. Mas isso não significa que não iremos ver ou sentir a dor. Muitas vezes questionamos o amor de Deus ou até a sua existência (“Será que Deus existe mesmo?”), quando estamos sofrendo. Mas pense no plano maior de Deus. José foi vendido por seus irmãos e dado como morto ao seu pai, mas lá na frente veremos como o plano de Deus foi bem traçado por Ele. Assim é a nossa vida, não percamos a esperança em Deus. Mesmo em dias difíceis, lembremos que os planos de Deus são melhores que os nossos. 

Conclusão
Nós somos como um tapete e Deus é o nosso tapeceiro. A canção de Stênio Március O tapeceiro descreve bem o que vimos nesta exposição.

Assista o vídeo abaixo e veja como tudo se explica e se encaixa no plano perfeito de Deus.


quarta-feira, 1 de março de 2017

O Grande Mandamento - Dt 6.1-9


1 Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o SENHOR, teu Deus, se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas para a possuir; 2 para que temas ao SENHOR, teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados. 3 Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os cumprires, para que bem te suceda, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te disse o SENHOR, Deus de teus pais. 4 Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.5 Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.6 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; 7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. 8 Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. 9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas. (Deuteronômio 6:1-9 [ARA])

Introdução
Nesta passagem das Escrituras temos um aprofundamento da primeira parte do Decálogo, ou seja, dos quatro primeiros mandamentos relacionados à pessoa de Deus (cf. Ex 20.1-4; Dt 5.5-10). Aqui podemos perceber o âmago e a essência da lei de Deus. Israel é exortado a cumprir e guardar as ordens de Deus, bem como reverenciá-lo. Esse ensinamento deveria seguir para as próximas gerações e asseguraria a vida e a prosperidade do povo. Notaremos, portanto, nesta breve exposição, essas questões de forma mais detalhada.

1 – Uma lei para um povo (vv. 1-3)
O povo hebreu recebe as instruções de Deus, por meio de Moisés, para que fossem praticadas na terra que Ele havia prometido. Seguindo a percepção de Thompson, a versão NVI traz uma melhor tradução para a palavra mitsvá (traduzida por mandamentos pela ARA, v. 1)* . Não se trata de um termo plural, mas singular, ou seja, lei, conforme traduz a NVI. A ideia é que Deus deu apenas uma lei para o seu povo, constituída de decretos e ordenanças gerais, mas que visam um único propósito: temer ao Senhor (v. 2).

O termo temer (v. 2) traz a ideia de medo, receio ou temor reverente. Há ocasiões em que Deus diz para os seus servos não temerem (cf. Gn 26.24). O que significa, portanto, temer ao Senhor? É uma atitude de reconhecimento do poder e status da pessoa reverenciada. Deus deu a Sua lei para que o Israel seguisse os seus preceitos em temor, isto é, para que fizessem a Sua vontade e não se desviasse dEle. O contínuo reconhecimento de quem Deus é nos impede de seguir o caminho errado.

O ato de Deus dar as Suas leis para o povo hebreu era uma demonstração de particularidade entre Javé e Israel. “Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos. Aleluia!” (Sl 147.20).
A lei de Deus deveria ser ensinada para as próximas gerações (v. 2), desta forma o povo seria abençoado em crescimento e iria usufruir da terra prometida. Para que a vida dos hebreus fosse segura em Deus, necessitariam estar em contato com as suas instruções. É como declarou o salmista sobre o que medita na lei de Deus: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.3, ARA).
O compromisso com a Palavra de Deus – leitura e meditação – nos capacita a reverenciá-lo, e isso nos dará melhores condições para usufruir das promessas de Deus.

2 – O grande mandamento (vv. 4-9)
Esta breve passagem é conhecida pelos judeus durante séculos como o Shemá (“Ouve”, em hebraico), a qual é recitada juntamente com Dt 11. 13-21 e Nm 15.37-41 como oração diária. Com respeito à declaração “o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (v. 4, ARA), há diversas traduções gramaticalmente possíveis, como: “Javé nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé somente”**.  Porém, é mais compreensível que se trata de uma declaração da unicidade de Deus. Ou seja, “o Senhor é Deus, o Senhor é único”.

Essa declaração traz algumas implicações para o povo de Deus: 1) A monolatria deveria ser totalmente abandonada, isto é, admitir que existam outros deuses, mas que apenas um deve ser adorado; 2) Deus fala contra o politeísmo, pois somente Ele é Deus e não existe nenhum outro. O Senhor demonstrou isso ao ridicularizar os deuses do panteão egípcio (cf. Ex 12.12; 15.11); e 3) Nada nem ninguém pode tomar o lugar de Deus (Isaías 42.8).

O grande mandamento consiste em amar a Deus “de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (v. 5). Quando perguntado sobre qual era o principal mandamento, Jesus citou esse mandamento (Mc 12.29-30; Mt 22.37; Lc10.27). Esse mandamento consiste em uma síntese de todos os mandamentos relacionados à pessoa de Deus. Israel deveria ter um relacionamento íntimo com Deus em amor, não obedecê-lo de maneira legalista, fria, tendo que fazer o dever pelo dever. A motivação do coração deveria ser santa, amando de coração ao Senhor.

Amar de todo o coração, de toda a alma e de toda a força, significa amar a Deus com todo o ser. Deus deve ser amado sem quaisquer reservas. E amar a Deus está relacionado a obedecer aos seus mandamentos.

As palavras de Deus devem estar no coração dos seus servos (v. 6). O indivíduo demonstra que ama a Deus praticando os seus mandamentos. Jesus também ensinou dizendo: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14.21). O amor é uma expressão de lealdade. Como Deus é o único Senhor, somente Ele deve ser amado pelos seus servos.

A disposição para amar a Deus abrange todas as áreas da vida. Envolve tanto obedecer como ensinar para as próximas gerações (vv. 7-9), de maneira que em todas as épocas o Seu nome ficasse gravado, os seus feitos fossem recordados, e a Sua lei seja obedecida. O salmista nos exorta a fazer isso: “O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez” (Sl 78.3,4).

Conclusão
Não basta apenas alguém dizer que ama a Deus. Isso deve ser perceptível, deve ser notado pela prática da Sua Palavra. O amor para com Deus deve ser maior do que tudo, deve ser total. Somente Ele é Deus e não podemos colocar nada ou ninguém no lugar que pertence apenas a Ele (Is 42.8). A obediência a Sua lei nos ajuda a temê-lo, que por sua vez nos ajuda a vivermos de maneira tranquila diante dEle. Não podemos deixar de falar as Suas verdades aos nossos filhos. Nosso lar deve ser um ambiente em que Deus é o centro.

Notas:
*THOMPSON, 1982, p. 116.
**Ibid, p. 117.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Contentamento em todas as circunstâncias


Regozijai-vos sempre. 1Tessalonicenses 5:16

O verbo regozijar ou alegrar significa basicamente estar contente, ou seja, estar satisfeito, alegre, ou até sossegado. Paulo diz que o nosso dever é regozijar-se ou estar contente sempre, continuamente. Ele trata desse contentamento em outras situações (ver Fp 4:4; 2Co 6:10). Para Paulo, não devemos depender das circunstancias boas para estarmos contentes. A nossa alegria deve estar na dependência do Senhor. Ele disse “alegrai-vos sempre no Senhor”. A nossa alegria deve estar nele, independentemente das circunstâncias. Isso não quer dizer que não sofremos ou nos entristecemos. No entanto, significa que não nos desesperamos, não perdemos a esperança (Rm 12:12).

O Senhor Jesus também falou sobre a alegria em meio a perseguições:

11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. 12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (Mt 5:11-12)

Os tessalonicenses sofriam perseguições por serem discípulos de Cristo. Paulo não queria que aqueles irmãos se inquietassem com as tribulações. Portanto, o que Paulo está dizendo aqui é bem difícil para eles, você não acha? Como eles podem estar contentes enquanto sofrem perseguições das mais diversas? Como posso ter alegria em meio ao sofrimento? 

O contentamento que ele propõe independe das circunstâncias. Não é sorrir enquanto sofro, não é dar uma boa “gaitada” enquanto estou num velório, por exemplo. Aliás, isso é coisa de doido! Estar contente é ter a certeza de que em qualquer momento Deus está comigo e por isso sou bem-aventurado, feliz.

É fácil estar contente apenas quando tudo está bem. Mas, haverá situações em que você será tentado a desistir de perseverar, a se desesperar e se abater. Muitos se sentirão angustiados ou até às portas da depressão. Lembre-se de olhar para Deus. Quando as coisas não derem certo em sua vida, lembre-se que Ele está com você e não se esquece de você. É nele que devemos nos alegrar e não nas circunstâncias ou coisas deste mundo.

Nosso contentamento se baseia no fato de que Cristo prometeu estar sempre conosco. Não temos, portanto, reais motivos para vivermos descontentes. Temos Deus, temos tudo que precisamos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

4 Marcas de uma igreja saudável - 1Ts 5:25-28

Recentemente foi publicado aqui no Brasil um livro intitulado Nove marcas de uma igreja saudável, de Mark Dever (Editora Fiel). A partir deste livro foram publicados diversos outros livros sobre cada uma das marcas de uma igreja saudável. Dentre as marcas da igreja, apontadas por Dever, estão: a pregação expositiva, entendimento correto da evangelização, administração correta das ordenanças (batismo e ceia), entendimento correto de membresia, etc.

O que significa marca? Marca é um carimbo; nódoa deixada no corpo por uma pancada; limite, fronteira; caráter. As marcas da igreja são aquilo que constitui uma igreja, indicam o seu caráter. Creio que no final da primeira carta aos tessalonicenses (saudação final, comum em epístolas) Paulo apresenta-nos, pelo menos, quatro marcas de uma igreja saudável. 

A primeira marca de uma igreja saudável é a oração pelos missionários (v. 25).

Irmãos, orai por nós. Em que sentido Paulo está fazendo esse pedido de oração? Às vezes quando alguém nos pede para que oremos por ele/ela costumo perguntar pelo quê necessariamente. “Sobre o que você deseja que eu ore por você?” Mas Paulo não explica por que deseja a oração dos irmãos. O que será? 
É muito comum, em suas cartas, o apóstolo pedir orações em seu favor e de seus companheiros. Vejamos alguns exemplos, em outras cartas, de pedidos de oração de Paulo: 

  • Rm 15:30-33. O pedido de oração de Paulo é para que seja livre das perseguições, para que o seu ministério seja aceito pelos judeus convertidos; para que possa visitar os romanos com alegria.
  • Ef 6:18-20. Para que tenha ousadia na proclamação do evangelho.
  • Cl 4:3,4. O pedido de oração é para que Paulo e seus cooperadores tenham mais oportunidades para anunciar a Palavra, bem como, para que façam do modo que Deus requer.
  • 2Ts 3:1-2. Pela propagação da Palavra e pela glorificação da mesma; para que Deus o livre de perseguições.

Esses pedidos de oração feitos por Paulo nos trazem a ideia de que a igreja também participa da missão. Se não fazemos missões indo (como os missionários), fazemos orando por eles. É por este motivo que Paulo pede aos tessalonicenses que orem por ele. Esta é uma marca de uma igreja saudável, a oração pelos missionários. Essa prática deve ser presente em nossas vidas, na vida da igreja. Todos devemos orar pelos missionários. Uma igreja verdadeiramente saudável ora pelos missionários.

Você tem orado pelos missionários? É seu dever participar dessa obra. Assim como o apóstolo Paulo, os missionários de hoje possuem necessidades a serem atendidas em seus ministérios. Precisamos orar por eles.

Uma conferência de missões é muito importante para uma igreja. Mas a igreja não pode restringir a oração missionária apenas a um evento anual. Temos que orar pelos missionários em nosso tempo de oração em casa (se você não ora em casa tá na hora de mudar isso). Separassem cinco minutos diários para ser seu momento de oração. Cada dia da semana você ora por você e sua família e por temas diversos. Separa um dia para orar pelos missionários.

O quadro a seguir esclarece o que quero dizer:

Diário de Oração
Domingo
Pastor / Diáconos
Outros pedidos
Segunda-feira
País / Governantes
Outros pedidos
Terça-feira
Missionários / Missões
Outros pedidos
Quarta-feira
Orar por um *irmão da igreja
Outros pedidos
Quinta-feira
Famílias da igreja
Outros pedidos
Sexta-feira
Pedidos do culto de oração
Outros pedidos
Sábado
Não crentes
Cristãos perseguidos
Outros pedidos
*toda semana orar por alguém diferente; pode-se perguntar para uma pessoa toda semana quais são os seus pedidos de oração.

Dedique-se a orar pelos missionários.

A segunda marca de uma igreja saudável é a comunhão entre os membros (v.26).

Saudai a todos os irmãos com ósculo santo. Ósculo é um beijo, uma forma de saudação na vida antiga. Não tinha nenhum tipo de conotação sexual. Isso fica evidente pela expressão "ósculo santo" ou "beijo santo". Era uma demonstração de fraternidade cristã e de comunhão entre os irmãos. Essa era uma forma de Paulo dizer aos irmãos tessalonicenses de que não poderia haver divisões na igreja. A ideia de que o ósculo santo deveria ser exercido por "todos" indica que cada um pertence à mesma comunhão (cf. Rm 16:16; 1Co 16:20; 2Co 13:12; 1Pe 5:14 [ósculo de amor]). O ósculo santo era um símbolo da união entre os cristãos.

A Congregação Cristã do Brasil defende e pratica o ósculo santo, entendendo que é uma ordenança divina. É uma maneira errada de entender o texto, uma vez que se trata de uma forma de trato social, tendo em vista que em lugares diferentes o beijo tem outra conotação. O que deve ser levado em consideração aqui, segundo a ideia paulina, é o princípio, ou seja, devemos manter comunhão com todos os irmãos.

A comunhão é importante para que a igreja do Senhor seja saudável. É preciso falar, nesse ponto, sobre a importância de ir a igreja. Alguém certa vez falou que não precisa da igreja para ser crente. Eu diria: “Sim, você precisa da igreja para ser um crente”. Um dos motivos para frequentarmos regularmente os cultos é para estimularmos uns aos outros à prática do amor e das boas obras (Hb 10:24,25). A frequência aos cultos é importante para a comunhão e você precisa dedicar-se a isso.

A terceira marca de uma igreja saudável é a prática da leitura da Palavra (v. 27).

Conjuro-vos, pelo Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos. A primeira palavra do v. 27, conjuro-vos, tem a ideia de implorar solenemente. Ele implora "pelo Senhor". O que Paulo está implorando aos tessalonicenses? A leitura da carta pela igreja.

Qual a melhor maneira da carta ser "lida" por todos? Através da leitura feita por alguém em voz alta. Aqueles dias não eram como hoje. Além da dificuldade para se fazer cópias eram economicamente difíceis. A melhor maneira de ser feita a leitura de cartas na igreja era através de um líder e toda a igreja atenta.

É interessante notar que Paulo pressupõe que toda a igreja se reúne regularmente, pois diz que a epístola deve ser lida a todos os irmãos. Era uma prática que esperava-se ser feita por outras igrejas (cf. Cl 4:16). Quando Esdras  abriu ao livro da Lei para fazer a leitura todo o povo se colocou de pé (Nm 8:5). A leitura da Palavra publicamente é uma marca de uma igreja saudável.

Quando a Palavra estiver sendo lida na igreja dê a devida atenção. Não é apenas no momento da pregação que ela fala conosco. Não importa se a leitura é feita em pé ou sentado desde que você esteja em reverência para ouvi-la. Hoje todos têm Bíblias, não vivemos como na época dos tessalonicenses. Portanto, traga a sua Bíblia à igreja.
Lembro-me do testemunho de uma irmã . Ela disse não saber ler, mas sempre fez questão de andar com sua Bíblia ao ir à igreja, pois queria demonstrar seu amor à Palavra. Demonstre que a Palavra é importante para você.

A quarta e última marca de uma igreja saudável é a dependência da graça de Deus (v. 28).

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Geralmente pensamos na graça de Deus apenas no aspecto soteriológico, ou seja, apenas quando falamos que fomos salvos pela graça de Deus. Mas a graça de Deus não apenas nos salva, mas nos acompanha por toda a nossa vida. Paulo expressa o desejo de que a graça de Jesus esteja com a igreja. É a graça, isto é, o favor de Deus que nos acompanha. É a graça de Deus que sustenta a nossa vida. Só podemos cumprir com tudo o que 1 Tessalonicenses nos ensina se dependermos da graça de Deus. É Ele quem guia a igreja, quem transforma os crentes, que nos orienta, fortalece quando a igreja desanima... é a graça de Jesus conosco.
Devemos lembrar, como diz o cântico, que a graça de Jesus jamais nos faltará.

Não pense que a igreja existe por sua causa e para você. Ela existe por causa de Jesus, por causa de sua graça. Foi ele quem instituiu a igreja e disse: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Nunca pense que a igreja irá crescer por conta de nossas filosofias de trabalho ministerial ou estratégias de crescimento. Ela só irá crescer e prevalecer nesses dias maus pela graça de Deus. Portanto, dependa de Deus sempre e não dos seus esforços.

Uma igreja verdadeiramente saudável ora pelos missionários, pratica a comunhão com todos os membros, pratica a leitura da Palavra e depende da graça de Deus.

Que Deus te abençoe. Amém!


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Três orações necessárias - 1Ts 3:11-13


     11 Ora, o nosso mesmo Deus e Pai, e Jesus, nosso Senhor, dirijam-nos o caminho até vós,
12 e o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco,
13 a fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.

Nesse trecho temos uma oração de Paulo em prol dos tessalonicenses. Alguns estudiosos  divergem sobre essa passagem. Há aqueles que acreditam que não se trata de uma oração, pois numa oração nós dirigimos as palavras diretamente para Deus [“Ó Deus...”] (Hendriksen).

Há também aqueles que afirmam ser uma oração. Paulo está aqui expressando sua oração em forma de um desejo. Essa forma de oração era comum em pregações na igreja primitiva (Marshal). “Que o Senhor faça isso”, expressa um desejo, mas não deixa de ser uma oração dirigida a Deus também, “Faz isso, Senhor”.

Portanto, creio que estamos diante de uma oração paulina, muito comum em outras epístolas. Nessa oração, Paulo retoma temas importantes, como a santidade, o amor, e a parusia [vinda de Cristo], que voltarão a ocorrer na segunda parte da carta (santidade [4:1-8], amor [4:9-12], parusia [4:13-5:11]).

Há três anseios que Paulo tem em sua oração pelos tessalonicenses. Creio que são desejos que também devem estar em nosso coração. São três orações que devemos fazer, que são necessárias.

A primeira oração que devemos fazer é...
I.                   Para que o Pai e o Filho dirijam o nosso caminho. v. 11

O desejo de Paulo é que ele e seus companheiros sejam dirigidos por Deus e seu Filho para Tessalônica. É interessante o fato de Paulo colocar o Pai e o Filho como aqueles que podem dirigir os nossos caminhos. O Pai e o Filho são colocados lado a lado. Fica evidente que, para Paulo, tanto o Pai quanto o Filho são um. Ele faz essa combinação do Pai juntamente com o Filho em outras epístolas.

Paulo, então, expressa o  seu desejo de que Deus e o Se Filho lhes dirijam o caminho até os tessalonicenses. Por que Paulo expressa esse desejo? Lembremos que Paulo havia dito aos irmãos que estava ansioso para rever os irmãos e até tentou ir vê-los, mas alguém o impediu de chegar até eles. Quem? Satanás (2:18). Vimos que Satanás impediu o caminho de Paulo e seus companheiros através de pessoas, os judeus.

Algumas pessoas se acham mais poderosas do que Satanás. Alguém aqui pode mais do que ele? Não. Se fôssemos mais poderosos do que ele imagine o apóstolo Paulo!? Mas não é assim. Satanás impediu que Paulo fosse até os tessalonicenses. Quem pode quebrar essas barreiras de Satanás? Deus o Pai e o Seu Filho Jesus. Por essa razão Paulo expressa o desejo de que Deus e o Filho dirijam o caminho deles até os tessalonicenses. É bem provável que Deus tenha respondido esta oração em Atos 20:1, onde fala que Paulo andou na Macedônia e Grécia.

Quem deve dirigir nossos caminhos é o Senhor. Não podemos andar sozinhos.

Sabe meus irmãos, precisamos orar mais. Sim, precisamos mais e mais de oração. Precisamos mais e mais de Deus. Por que? Porque não podemos andar sozinhos. É ele quem melhor dirige os nossos caminhos. Precisamos dedicar mais tempo para a oração. Eu preciso dedicar mais tempo a oração. Nesses dias tão agitados, na correria, são tantas coisas a fazer e nos esquecemos de pedir ao Senhor que dirija os nossos passos. Nos esquecemos de orar. Deveria ser o contrário. Quanto mais ocupados estivermos deveríamos orar mais para podermos dar conta de tudo. Por que? Não podemos andar sozinhos. Não podemos...

Podemos ilustrar esse ponto lembrando dos momentos em que Moisés recebera as tábuas da lei do Senhor. Ele havia subido ao monte para receber as tábuas da aliança. O povo percebeu que ele estava demorando a voltar. Israel se reuniu ao redor do profeta Arão e pediu que ele fizesse deuses para que o povo os adorassem. Foi feito um bezerro de ouro e o povo caiu fortemente na idolatria. Deus disse para Moisés descer do monte porque o povo havia se corrompido.

Moisés intercedeu a Deus pelo povo. Deus teve misericórdia do povo, porém, aqueles que não eram do Senhor foram mortos. Depois Deus disse para Moisés conduzir o povo. Porém Moisés intercede pela presença de Deus. O Senhor respondeu:
14 Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. 
15 Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. (Ex 33:14-15)

Por que Moisés não quer peregrinar sem a presença de Deus, sem a sua direção? Porque não podemos ter êxito andando sozinhos. Não podemos andar sozinhos.
Precisamos depender mais do direcionamento do Senhor.

Vai fazer faculdade? Peça o direcionamento do Senhor. Vai tomar uma decisão difícil? Peça o direcionamento do Senhor. Vai namorar? Peça o direcionamento do Senhor. Não podemos andar sozinhos. A nossa oração deve ser essa: “Para que o Pai e o Filho dirijam o nosso caminho”.

O segunda oração que devemos fazer é...
II.                Para que cresçamos no amor uns pelos outros. v. 12

O desejo de Paulo em prol dos tessalonicenses é que eles cresçam no amor. Já vimos que o amor é uma das marcas ou virtudes fortes daquela igreja. Eles eram perseverantes na fé, na esperança e também no amor. Mesmo diante das dificuldades, das perseguições e sofrimentos em meio a tribulação, era uma igreja que não deixava de demonstrar amor por Deus e pelo próximo.

Mas Paulo deseja e pede que o Senhor os faça crescer nesse amor. Não só crescer, mas aumentar no amor. A ideia da construção “crescer e aumentar no amor” é de abundância e progresso. Significa também fazer abundar e transbordar no amor. Embora eles já evidenciem o amor cristão, os tessalonicenses precisam crescer ainda mais nesta virtude e torná-la ainda mais evidente. Ora, como minha esposa sabe que eu a amo? Quando eu digo? Não. Quando demonstro.

Há no texto dois grupos de pessoas a quem esse amor deve ser destinado:

  • Amor uns para com os outros. Amor entre os cristãos. O amor dentro da igreja deve ser abundante e transbordante. Quando praticamos o amor dentro da igreja (entre os membros do corpo), damos um grande testemunho para a sociedade. O Senhor Jesus disse que o amor nos faz ser reconhecido como discípulos de Jesus (Jo 13:35).
  • Amor para com todos. Amor demonstrado pelos de fora, os descrentes. Quanto amor temos demonstrado pelos incrédulos? Se os amamos, precisamos falar-lhes o evangelho, estender nossas mãos para as dificuldades que enfrentam... muitas vezes nos preocupamos apenas com o nosso mundo aqui na igreja e nos esquecemos dos de fora.

O desejo de Paulo é que os tessalonicenses cresçam e transbordem no amor uns pelos outros de tal forma que esse amor alcance os de fora, a exemplo do amor de Paulo por eles (como também nós a vós).

Como você tem demonstrado amor pelo seu irmão? Como você tem demonstrado o seu amor pelos não-cristãos?

A terceira e última oração que devemos fazer, conforme Paulo nos ensina é...
III.             Para que sejamos encontrados irrepreensíveis na vinda de Cristo. v. 13

Por que devemos crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos? Paulo responde no v. 13. Para sermos confirmados em santidade, isto é, isento de culpa na presença de Deus e na vinda do Senhor Jesus (parusia).

A palavra confirmado significa ser irrepreensível. Alguém irrepreensível é uma pessoa que não há nada que o incrimine, alguém inculpável. A explicação de ser confirmado vem logo a seguir. O verso diz: “confirmado em santidade, isento de culpa”. Essa expressão não está no texto grego, apenas na tradução. Porém, ela explica o que Paulo quer dizer. Quando Cristo vier, devemos ser achados confirmados, isto é, irrepreensíveis (que significa isento de culpa).

Esse tema da santidade será tratado especificamente no próximo sermão, em 1Tss 4:1ss. Mas deixe-me te fazer essa pergunta? Se Cristo viesse hoje, você seria encontrado irrepreensível, sem culpa? Cristo te encontraria e diria: “Você foi alguém que demonstrou muito amor pelo próximo”? Como Cristo te encontraria se ele voltasse neste instante?
O
utro fato interessante no texto é o que é dito que deve ser encontrado irrepreensível. O que deve ser encontrado irrepreensível? O coração. Sabemos que o coração é um órgão humano, essencial para a vida. Mas Paulo não está se referindo a esse órgão, mas ao nosso íntimo. Nosso íntimo ou o nosso ser deve ser encontrado irrepreensível na vinda de Cristo.

Lembra daqueles homens de Mt 7:21-23? O Senhor Jesus disse:
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.

Mas aqueles homens não fizeram tantas coisas em nome de Deus? Pois é... mas o coração deles estava longe de Deus. E é o nosso coração que deve ser encontrado irrepreensível na vinda de Cristo.

Cuide do seu coração. Não deixe que o pecado tome conta de sua vida e afaste o seu coração do Senhor. Busque-o mais e mais. Não podemos andar sozinhos. Precisamos amar mais o nosso irmão e estar preparado para vinda do Senhor.

Três orações necessárias: 
I. Para que o Pai e o Filho dirijam o nosso caminho. v. 11
II.Para que cresçamos no amor uns pelos outros. v. 12
III.Para que sejamos encontrados irrepreensíveis na vinda de Cristo. v. 13

Que Deus te abençoe!

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Hoje é dia de Ação de Graças

O primeiro Dia de Ação de Graças foi celebrado em 1620 em Plymouth, Massachusetts. Depois das colheitas terem sido gravemente prejudicadas pelo Inverno rigoroso, os colonos tiveram uma boa colheita de milho no Verão seguinte, em 1621. Para marcar e celebrar a ocasião depois de sucessivos anos complicados em relação à agricultura, o governador da vila resolveu organizar uma festa no Outono de 1621. Nessa festa participaram cerca de 90 índios e comeram patos, perus, peixes e milho. A partir desse ano, na Nova Inglaterra, em cada Outono era organizada uma festa de gratidão a Deus, por causa das boas colheitas. 

Em 1863, Abraham Lincoln anunciou que a quarta quinta-feira de Novembro seria conhecida como o Dia Nacional de Ação de Graças. Hoje o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day) é um feriado celebrado maioritariamente nos Estados Unidos e Canadá. Nos Estados Unidos é celebrado na quarta Quinta-feira de Novembro, e no Canadá, na segunda Segunda-feira de Outubro.

No Brasil, o então presidente Gaspar Dutra instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças, por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, entusiasmado com as comemorações que vira em 1909, na Catedral de São Patrício, quando era embaixador em Washington. Em 1966 estabeleceu-se que a comemoração de Ação de Graças se daria na quarta quinta-feira de novembro. Esta data é lembrada por muitas famílias de origem americana, por algumas denominações Cristãs Protestantes, como a Igreja Luterana IELB (de origem americana), a Igreja Presbiteriana, a Igreja Batista, a Igreja Metodista, universidades confessionais metodistas e cursos de inglês. 

Creio que podemos e devemos incentivar uma data tão especial como essa em nossas igrejas, famílias e cidades. Gratidão é uma das coisas não tão comuns em nossos dias. Percebemos isso numa oração: “Pai, te peço pela minha família, minha casa, meus amigos, pela igreja, pelo pastor... te agradeço por tudo, em nome de Jesus. Amém!”

Devemos praticar mais a gratidão àquele que tudo nos dá. Reconhecer que tudo o que temos vem de Deus, não de nossos méritos. O dia de Ação de Graças nos lembra que Deus deve ser louvado pelo que Ele é e faz. Essa é a mensagem que quero deixar para vocês: O que Deus faz por nós deve nos levar a louvá-lo.

Veja o Salmo 147. Este salmo é um louvor a Deus pelo que Ele faz pelo Seu povo. O salmo está dividido em três estrofes. As três estrofes são introduzidas com os termos Louvai, Cantai e Louva.  Dentro dessas três estrofes encontramos as razões porque devemos louvar ao Senhor. Há três atitudes de Deus que deve nos levar a louvá-lo: 1) Deus redime o seu povo; 2) Deus cuida do seu povo e 3) Deus dá paz ao seu povo.

1) Ele redime o seu povo (vv. 1-6).

É bem provável que este salmo tenha sido escrito no período pós-exílio, por conta do seu conteúdo. Sendo assim, quando o salmista diz que “O Senhor edifica Jerusalém e congrega os dispersos de Israel” (v. 2), ele está se referindo a ação misericordiosa de Deus em redimir o seu povo do cativeiro. 

O salmista reconhece que a libertação do cativeiro foi um ato de bondade de Deus. Mesmo Ele sendo Grande (v. 5), ao ponto de saber o número exato de cada estrela que há no céu (v. 4) e tendo um entendimento imensurável (v. 5), Ele se importa com o seu povo.

Os deístas, em geral, acreditam que Deus criou o universo mas não interfere nEle. Aqui temos uma declaração forte do salmista: “O Deus poderoso, Criador de todas as coisas, se importa conosco”.
Não podemos nos esquecer diariamente da obra que Deus realizou em nossas vidas. Nós também estávamos presos num cativeiro. Um cativeiro de pecado, sem ter como fugir dele. Mas Ele graciosamente nos redimiu do pecado. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1:13). Isso é fantástico!

Isso deve ser motivo de gratidão em nossos corações todos os dias. É o que deve estar presente em nossas orações, nas músicas que cantamos, em nossas conversas, em nossas atitudes e em nossas pregações. Deus merece o nosso louvor, pois só a Ele pertence a salvação. Esse é o pensamento do salmista. Ele nos redimiu, como não louvá-lo?

Há um cântico que traz a bela mensagem:

“A ti dou graças, meu Senhor
Por todo o teu favor;
Tu viste o pecado meu, 
Por mim deixaste o céu.

Te amo, ó Jesus Senhor,
Morreste Tu por mim.
Te dou, Senhor o meu amor,
És tudo para mim.”

Que belo hino! Sim, Deus se importa conosco. E isso ficou tão claro quando o Filho de Deus se fez carne e habitou entre um povo de impuros lábios, como diz Isaías. Ele deixou a sua glória para que nós pudéssemos ser redimidos do cativeiro. O que Deus faz por nós deve nos levar a louvá-lo. Como não agradecer pela preciosa salvação em Cristo? Demonstremos mais alegria e louvemos ao Senhor por ter nos redimido do pecado.

2) Deus cuida do seu povo (vv. 7-11).

O salmista agora olha para os eventos da natureza: os céus carregados de nuvens prontas para darem chuvas, que molha a terra e produz alimento que os seres precisam e diz: “Isso vem de Deus”. 

Lembro-me de uma lição que aprendi no acampamento. Quando eu e minha família estávamos nos preparando para ir (organizando barracas, bolsas etc), fui verificar a previsão do tempo para Iguatu durante aqueles dias. A previsão dizia: “Sol com poucas nuvens”. Então pensei: “Ótimo, assim a gente pode colocar nossa barraca em baixo da árvore, próximo a quadra” (A barraca não suportaria uma chuva forte). A noite até estava tranquila, quando de repente acordei já com as pernas molhadas com a forte chuva. Que noite tensa! Depois lembrei-me: “Por mais que o tempo dê ‘sugestões’ de que não vai chover, Deus é quem manda no negócio”.

O salmista declara: é o Senhor quem “prepara a chuva”, não é só porque as nuvens ficam carregadas de água e depois de cheias elas derramam as águas. Além disso, tudo é para um fim: o nosso cuidado. Deus se agrada daqueles que o temem e esperam pela sua misericórdia (v. 11). A provisão é outro ato de misericórdia de Deus para nós.

Não podemos nos esquecer que Deus conhece nossas necessidades. Ele sabe de tudo o que precisamos.
Certo dia estava numa situação um pouco complicada. Eu tinha apenas vinte reais em casa, que deveria servir para comprar alimentos (estávamos praticamente sem nada) e comprar fraldas para a minha filha. Lembro-me de Elaine me perguntando: “Rubens, o que a gente faz? Até podemos pedir a ajuda dos nossos vizinhos [e iríamos fazer isso], mas Olívia está precisando de algumas coisas”. Durante todo o dia fiquei em oração a Deus. Foi quando meditei neste salmo. Como foi reconfortante! Eu tinha motivos para glorificar a Deus e não para ficar preocupado, pois Ele se agrada “dos que esperam pela sua misericórdia”. Lembro-me que o dia estava acabando e tinha acabado de orar, ler o salmo e fazer anotações. De repente chega um irmão em casa e diz: “Oi Rubens, saiba que eu e minha família estou orando pelo seu sustento. Vim te trazer um negócio”. Depois quando abri o papel tinha cem reais, e no papel estava escrito: “porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). Aquele dia foi muito especial. Mas não acabou por aí. Depois uma irmã chegou lá em casa e trouxe algumas fraldas para a nossa filha. Elaine e eu ficamos muito maravilhados com aquilo que Deus tinha feito por nós. Depois compartilhei com ela o que tinha aprendido com o salmo 147. Durante a semana muita coisa aconteceu em nossas vidas. Sentimos como nunca o cuidado de Deus.

Ele cuida de nós, sabe as nossas necessidades. Ele não está aquém das nossas dificuldades. Ele se importa conosco. Louvado seja o Senhor! Ele merece o nosso louvor porque ele cuida de nós.

3) Deus dá paz ao seu povo (vv. 12-20).

A paz de Deus está intimamente ligada a sua proteção. O fato de Ele proteger o seu povo garante a paz. Ele fechou as portas de Jerusalém, mas não foi apenas uma fechada qualquer: “Ele reforçou as trancas das tuas portas”, diz o salmista (v. 13). A ideia é de que a segurança está garantida porque é Deus quem garante.
Os versos 15-18 nos mostram que cada detalhe “natural” e “sobrenatural” ocorre sob a sua supervisão. Ele domina sobre tudo. A sua soberania é uma garantia de que Ele promove a paz e segurança para o seu povo.
Israel foi um povo escolhido por Deus para receber os “oráculos de Deus” (Rm 3.1-2). Isso fazia deles um povo especial dentre os outros povos, visto que Deus se relacionou de forma particular com eles (vv. 19-20). Aqueles que ignoram os preceitos de Deus estão longe dEle, por isso, não estão seguros.

Podemos descansar em Deus, pois estamos seguros em suas mãos. Jesus disse: “estarei com vocês até a consumação dos séculos”. A sua presença é uma garantia de que não estamos sós, mas estamos seguros nele.

Devemos louvar a Deus com ações de graças por sua proteção diariamente. Temos que parar de nos queixarmos de coisas pequenas e agradecer porque Ele nos livra de situações muito piores.

Conclusão
Todas as coisas que Deus faz seu povo são atos de misericórdia e graça. Ele nos deus remissão dos pecados, o seu cuidado e a sua paz. Não merecemos o bem que vem dEle. O propósito de tudo é para que ele seja glorificado e exaltado. Devemos louvar a Deus em ações de graças pelo que Ele é e faz por nós.
Neste Dia de Ações de Graças lembre-se: “Seja grato ao Senhor todos os dias”. Faça de cada dia um dia de ações de graças a Deus.
Que o Senhor nos abençoe e que todo louvor seja dado a Ele. Amém!