quarta-feira, 8 de abril de 2020

Canção de quem chora

Jeremias Lamentando a Destruição de Jerusalém (por Rembrandt, 1630)

Eu irei chorar

Como quem viu seu povo
Sofrer as dores do juízo
E chorou de tão aflito
Esperando um renovo

Eu irei chorar

Olhando as notícias
O assombro sobreveio
Eu sei em Quem creio
Mas choro nesses dias

Eu irei chorar

Mas em Ti esperarei
No controle Tu estás
Não me deixará jamais
Não me desesperarei

Eu irei chorar
Mas vou confiar

#SalmosDoIsolamento #VersosDeQuarentena

sábado, 14 de março de 2020

Egolatria: "Espelho, espelho meu, há alguém mais importante do que eu?"


Quando pensamos em idolatria logo nos vem à mente estátuas, quadros ou qualquer outro tipo de objeto considerado sacro por alguns. Mas, a idolatria não diz respeito à, necessariamente, fatores externos. Ela começa no coração (Ez 14.3).

A palavra ídolo, conforme aparece na Bíblia (e.g. Gn 31.19; Jz 17.5), tem a ideia de uma imagem usada para o culto. Já a palavra idolatria aparece com o sentido de iniquidade (1Sm 15.23). Essa iniquidade nasce no coração humano (Jó 4.8). Dessa forma, idolatria é uma imagem pecaminosa que criamos em nosso coração e não externamente. É algo dentro de nós, não fora de nós.

Um ídolo é qualquer coisa que centralizamos em nossa vida e que não seja o Deus da Bíblia. É aquilo (ou quem) faz sua vida valer a pena; que você coloca sua esperança ou confiança; que ocupa a posição mais sagrada na sua vida.

Um ídolo pode ser qualquer coisa, inclusive você mesmo.

Talvez o ídolo mais amado do mundo seja o eu (ego). Muitos vivem como se fossem o centro de tudo o que existe. A egolatria nos faz pensarmos de nós mesmos além do que convém (Rm 12.3); faz-nos pensar mais em nossa autoestima do que estimar os outros; faz-nos focar mais em nós mesmos do que em Deus; valorizamos mais a autoimagem do que a imagem de Deus em nós e no outro.

Vamos colocar tudo isso em termos práticos. A egolatria está em evidência em nossos dias. A internet está aí para provar. Muitos têm cultuado a si mesmo em suas redes sociais. Não é incomum moças postarem fotos com os dizeres "feia, mas tá valendo", só para que alguém comente o contrário. Rapazes fazem algo semelhante ao postarem fotos sem camisa, depois de dois dias fazendo academia. Muitos não conseguem viver sem se "Instagramear", como revela o cantor/compositor Tiago Iorc em Sol Que Faltava.

Darei outro exemplo com um questionamento. Por que você veste o que veste? Algumas pessoas vestem determinadas roupas com o fim de serem notadas e elogiadas. Transforme outras coisas em “por quês?” e responda sinceramente sobre as motivações de seu coração. Quando fazemos as coisas para sermos notados, isso é uma forma de idolatria, ou seja, egolatria. Um ególatra quer ser plenamente satisfeito com sua própria imagem.

Quando algo criado se torna o desejo derradeiro do coração, a glória de Deus é trocada. Se desejamos satisfazer-nos a nós mesmos mais do que tudo, trocamos a glória divina pela humana (Rm 1.23). Portanto, cuide de seu coração e não confie em si mesmo. Não somos mais importantes do que tudo. Nossas vidas não devem servir para contar nossas histórias, mas a história de Deus.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Os meios para a unidade da igreja - Filipenses 2.3,4



"3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. 4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros." Filipenses 2:3-4 (ARA)

Recapitulação. Vimos os motivos (“por quê?”) para a unidade (2.1) e as marcas (“o que é?”) da unidade (2.2) .  Hoje falaremos sobre os meios (“como?”) para a unidade. Paulo é muito direto e prático aqui. O ensino é muito simples. Responderemos a questão “Como podemos manter a unidade?”

1. Não faça nada por partidarismo (v.3)

“Nada façais por partidarismo”

Estamos em época de campanha eleitoral. Nesse período é comum vermos campanhas serem realizadas de maneira desleal: candidatos tentando ser eleitos pisando em seus adversários políticos. Isso é motivado por uma atitude que o apóstolo Paulo chama de partidarismo. É um tipo de egoísmo que leva alguém a brigar, incomodar, discutir, disputar. A Bíblia chama àqueles que se comportam dessa maneira de "facciosos" (Rm 2.8; Tg 3.14,16), tendo em vista sua especialidade em fazer confusão e causar divisão no corpo de Cristo.

Partidarismo é uma das obras da carne (Gl 5.20 ["discórdias"]). É uma "ambição que não tem nenhuma noção de serviço e cujos objetivos são o lucro e o poder" (Reinecker e Rogers). Em outras palavras, um "partidarista" ou "faccioso" faz tudo para obter algum benefício, mesmo que isso significa dividir o corpo de Cristo. É vencer pisando nos outros, disse John MacArthur.

É uma busca pelos próprios interesses. Isso é um coração egoísta. Essa busca por interesses próprios e egoístas geram, em nós, um espírito de divisão. Como assim? O egoísmo na igreja gera a vontade de EU criar o meu próprio grupo que atenda aos MEUS interesses. Não é por acaso, por exemplo, que temos tantas e tantas igrejas no mundo. Um irmão não gosta do pastor ou tem problema com algum irmão, nada acontece do jeito que ele quer e, a primeira coisa que ele faz é criar o seu próprio grupo. Surge, então, uma nova igreja. A igreja terá um nome bonito: Batista Num Sei das Quantas, Pentecostal de Num Seu o Quê, Congregação Sei Lá de Onde; mas deveria se chamar: Igreja Fundamentada no Partidarismo.

Agora, é possível que uma igreja já seja dividida sem, necessariamente, ser separada fisicamente. Os crentes vivem juntos, ou melhor, próximos, se reúnem, mas vivem por setores. O apóstolo Paulo chama isso de divisões partidárias (cf. 1Co 1.10).

Quando você quer que as coisas funcionem sempre do seu jeito, você, além de ser egoísta, quer ser o dono da igreja. Certo pastor disse o seguinte: 

“Se na sua igreja há alguém que diz como a igreja deve ser, como o pastor deve ser, como o diácono deve ser, como o louvor deve ser, como as programações especiais devem ser, como a disciplina eclesiástica deve ser, como o trabalho de missões deve ser e que se irrita quando as coisas não são como ele acha que deve ser, a sua igreja tem um dono, e este não é Jesus.” (1) 

O mandamento bíblico é claro: Não façam nada por partidarismo (ambição egoísta que leva à discórdia e divisão).

2. Não faça nada por vanglória

“Nada façais por partidarismo ou vanglória”

O apóstolo Paulo inclui outra atitude ruim que deve ser eliminada da igreja ou, ao menos, não deve nem chegar perto: a vanglória. O que é vanglória? No texto grego, temos aqui a junção de duas palavras: kenodoxia (kenos [vazio]  + doxa [glória]), cujo significado literal é louvor vazio ou (como foi traduzido no português) vanglória. 

É uma busca por glória pessoal. Note que ela está relacionada à ambição egoísta, própria do partidarismo. A vanglória é a ilusão de achar que sou digno de glória. É um desejo de ser grande e notável. É a ilusão de ser o que não realmente não sou, por isso que Paulo chama de glória vã; inútil. 

Aqui precisamos ter muito cuidado. A vanglória revela uma intenção ainda maior em nosso coração. A vanglória nos faz sermos soberbos e presunçosos. Nos achamos grandes demais. Paulo disse, noutro contexto, que não devemos pensar acerca de nós mesmos além do que convém. Mas, como disse, a vanglória revela uma intenção ainda maior em nosso coração: usurpar a glória de Deus. 

Paulo fala bastante sobre glória em Filipenses. Vejamos: 1.11; 2.11; 4.19,20. Essas passagens revelam que nossas vidas devem glorificar a Deus, Aquele que merece. Por isso devemos ter cuidado com a vanglória, pois ela constitui-se uma tentativa de “roubar a cena” de Deus. É dele a glória.  

Cabe para nós o exemplo de Cristo (falaremos mais sobre isso noutra mensagem). Cristo se esvaziou (kenosis) a si mesmo (v.7). Ora, nós já somos “vazios”, pois não podemos diminuir ainda mais o que já somos. Mas Cristo se esvaziou de sua glória por nós. O exemplo que devemos seguir aqui é o de não querermos ter como “usurpação o ser igual  a Deus” (v.6), mas sermos o que devemos ser: servos.

A vanglória se manifesta quando queremos mostrar para as pessoas o que "fazemos para Deus" com o intuito de sermos visto por eles. Jesus censurou isso em Mt 6. "Ao dar esmolas, ao jejuar e ao orar, não façam para aparecer, mas façam para o Pai, que vê em secreto". Se queremos que as pessoas aplaudam o que fazemos, receberemos delas os elogios. Mas não recebemos do Senhor. E, ainda, tiramos Deus do foco e nos colocamos no centro das atenções. 

Ainda, não devemos fazer as coisas por vanglória. Mesmo porque nós somos servos uns dos outros e não senhores uns dos outros. Não tratemos os outros como inferiores a nós.

Paulo diz: “Não façam nada por partidarismo ou vanglória.

3. Faça tudo humildemente (v.3)

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade”

Perceba que está tudo interligado aqui. A humildade é completamente diferente do sentimento faccioso (partidarista) e vanglorioso. A humildade, usando o subtitulo de um livro, é a Verdadeira Grandeza. 

Jesus é especialista nessa temática. Ele disse: “"Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mt 11.29). Humildade é ter uma opinião modesta de si mesmo. É não pensar de si mesmo além do que convém. Jesus era assim. E nos ensinou que também devemos ser assim. Veja Mc 10.35-45. “Se alguém quiser ser grande, seja servo dos outros”. A humildade é a verdadeira grandeza.

A humildade não era vista, no mundo grego, como uma virtude. Essa palavra era utilizada para se referir a uma pessoa insignificante. Jesus a utiliza para mostrar sua condição de servo dos outros. Uma pessoa humilde está pronto para servir ao outro. E considera os outros superiores a si mesmo (v.3)

Como podemos vivenciar essa humildade? Cito aqui um trecho do livro que tenho lido sobre humildade:

Bryce, um piedoso adolescente, honra seus pais e cuida de seus irmãos mais novos - incluindo seu irmão Eric, que sofre de autismo.
Theresa, uma mulher solteira, dona de uma gargalhada contagiante, serve alegremente a numerosas famílias em nossa igreja.
Trey, um pastor amigo meu, serve como pastor auxiliar de seu filho, Rich.
Eric, um bem-sucedido homem de negócios, todos os domingos, trabalha como voluntário em nossa igreja estacionando carros.
Minha filha, Kristin, trabalha incansavelmente em sua casa, cuidando de seu esposo, Brian, e de seus três filhos.
Dick, um homem solteiro, trabalha na agência dos correios e leva uma vida simples, a fim de contribuir generosamente com famílias que adotam crianças.
Ken, um pai que abandonou o trabalho, e tudo com o que estava acostumado, a fim de se mudar com sua família para outra parte do país onde congregariam numa igreja mais forte.
Bernie e Pearl, um casal com cerca de oitenta anos que, apesar dos muitos problemas de saúde, se dedicavam de corpo e alma ao pequeno grupo que Bernie liderava. Agora, eles estão se regozijando com nosso Salvador. (2) 

Isso é humildade. É assim que devemos ser. Pessoas que se importam com os outros, em servir aos outros e não desejam ser grandes em relação aos outros.

4. Não busque apenas seus interesses (v.4)

“Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, 
senão também cada qual o que é dos outros.”

Aqui Paulo mostra como mantemos a unidade em humildade. Ele nos chama para o altruísmo. O que isso significa? É o contrário de egoísmo. Fazer as coisas por interesse e si mesmo. Nós devemos nos importar com os outros.

Ilustração: 

Sujeitinho Egoísta
Uma instituição de caridade nunca tinha recebido uma doação de um dos advogados mais ricos da cidade.
O diretor da instituição decidiu ele mesmo ir falar com o advogado:
- Sabemos que o senhor é um dos advogados mais bem sucedidos desta cidade, que ganha muito bem... com sua licença, gostaríamos de pedir-lhe que faça uma doação para nossa caridade.
O advogado respondeu:
- Sim, é verdade que eu ganho muito bem. Mas o senhor também sabia que minha mãe esta muito doente e que as contas médicas são muito superiores a renda anual dela?
- Ah, não! murmurou o diretor.
- E que eu tenho um irmão cego e desempregado? E que o marido da minha irmã morreu num acidente e deixou ela sem um tostão e com 5 filhos menores para criar?
O diretor, constrangido, falou:
- Eu não tinha a menor ideia de tudo isso...
Então, disse o advogado:
- se eu não dou um tostão para eles, por que iria dar algum a vocês?

Buscamos responder aqui a questão: Quais os meios para a unidade da igreja? Como podemos ser unidos? Não faça nada por partidarismo (v.3); Não faça nada por vanglória; Faça tudo humildemente (v.3); Não busque apenas seus interesses (v.4).
Que Deus abençoe a nossa união. Amém!


Notas:
(1) https://www.facebook.com/antonio.neto.3745/posts/1527375950718570?__tn__=-R
(2) C.J. Mahaney. Humildade: a verdadeira grandeza. São José dos Campos-SP: Editora Fiel, 2008, p.41-42.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Rute: A novela da Redenção - Ep.01

Ep.01 | Misericórdia e lealdade em meio a tragédia (1.1-22)


Hoje iniciaremos uma série de mensagens no livro de Rute. Na verdade, começaremos a assistir [ouvir] uma novela: A Novela da Redenção no Livro de Rute. Uma história em quatro episódios. Talvez você compreenda novela em termos de televisão, apenas. No entanto, novela é um gênero literário muito utilizado por escritores, inclusive os escritores bíblicos. 

Novela é um gênero que contém uma breve história, com alguns episódios até atingir um desfecho, cujo objetivo é nos trazer uma lição. Veremos que nessa novela há a seguinte sequência: um problema (tragédia familiar), mais problemas, princípio de resolução do problema e desfecho com a resolução de todos os problemas. 

Aqueles que amam ler ou assistir romances irão amar o livro de Rute, pois aborda a relação romântica entre um homem e uma mulher. Há também o suspense e uma situação em que parece não haver solução. Também é uma história marcada por heroísmo. Mas, o principal objetivo dessa história é mostrar como a novela de Rute está relacionada com a história da nossa redenção.

Vejamos, então, o que nos reserva o primeiro episódio dessa novela.


Um período sombrio (vv. 1-5).

O verso um nos diz que os eventos a seguir ocorrem no período dos juízes, aqueles que julgaram Israel no período entre a morte de Josué e a coroação de Saul como rei. Certamente você deve se lembrar de como era essa época. O último versículo de Juízes diz: 

“Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (Jz 21.25; cf. 17.6).

O livro de Juízes nos mostra o povo na terra de Canaã se prostituindo ao seguir outros deuses. Deus havia ordenado ao povo que, ao entrar na terra, expulsassem todos os moradores de lá para que não caíssem na idolatria deles. Mas o povo desobedeceu. Dessa forma, Deus enviava inimigos à Israel, o povo clamava pelo Senhor e Deus suscitava juízes para livrar o povo. Este era o ciclo desse período sombrio.

Assim, o livro de Rute tem como contexto histórico a época dos juízes, em que o povo de Deus O desprezava seguindo outros deuses, quebrava Suas leis e rejeitavam ao Senhor. Porém, embora o livro retrate a época dos juízes de Israel, a obra foi escrita depois dessa época, provavelmente durante o reinado de Davi (cf. 4.13ss). O escritor do livro é incerto, embora a Bíblia judaica apresente o profeta Samuel como provável autor.


Fome e Dor

O verso um, ainda, nos diz que houve fome na terra. Trata-se da terra de Judá e não em todo o planeta Terra, mesmo porque o refúgio daquela família seria a terra de Moabe, onde teria mantimento. Não temos aqui - especificado – se essa fome era um castigo de Deus ao povo de Judá. Mas olhemos para o que diz Levítico 26.3-4: 

“3 Se andardes nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, 4 então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua messe, e a árvore do campo, o seu fruto”.

Ao que parece, tal fome é a mão pesada de Deus sobre um povo desobediente. Escassez de chuvas – nós nordestinos sabemos bem disso – resulta em grande tragédia na terra. Foi o que aconteceu naqueles dias.

Em razão da fome, Elimeleque, sua esposa Noemi e seus filhos Malom e Quiliom (v.2) resolveram sair de Belém de Judá (9 km de Jerusalém) para ir até Moabe, uma terra pagã que oprimiu Israel por 18 anos durante o período dos juízes (cf. 3.12-30). Naquela circunstância Deus usou Eúde para matar Eglon (rei gordo de Moabe) com um punhal. 

Para piorar a situação, além de ser uma época de apostasia e desprezo às leis de Deus, da fome que assola a terra dos hebreus e a viajem a outra terra, o marido de Noemi morre (v.3). Aqui está Noemi, viúva e com dois filhos em terra estrangeira. Poderia piorar?

A segunda geração da família (Malon e Quilion) se casa com mulheres estrangeiras, moabitas: Orfa e Rute (v.4), o que era proibido na lei de Deus (Dt 7.1-4). Após dez anos os filhos de Noemi morrem (v.5). O texto não explicita, mas fica-nos uma pergunta no ar: seria tudo isso, ainda, a mão do Senhor pesando sobre aquela família por misturar-se com povo estrangeiro? Não está claro. Porém, em meio a toda essa tragédia, percebemos o agir de Deus em prol do Seu povo e a realização do Seu plano redentivo.

No verso 5, final da introdução do livro, temos a situação em que Noemi se encontra: desamparada dos filhos e do marido. É assim que se inicia esta novela, num período sombrio, em meio a fome e a dor do luto. O que virá diante dessa tragédia?


Lealdade a caminho de Belém (vv. 6-18).

Noemi e suas noras resolvem voltar para Belém (“casa de pão”) de Judá, pois Deus se lembrou do seu povo, dando-lhe pão (v.6). Aos poucos o Autor da Novela vai mudando o ruma da trama. Nesta cena notamos as tentativas de Noemi de despedir suas noras Orfa e Rute, incentivando-as a voltarem para Moabe.

Na primeira tentativa (vv.7-10) Noemi pede que elas voltem e ora para que o Senhor seja misericordioso com elas, como elas foram com sua sogra. A ideia de Noemi era: “Vão e sejam felizes, vocês já fizeram muito por mim”. Mas elas se recusam a voltar e querem ir com Noemi.

Na segunda tentativa (vv.11-14) Noemi argumenta que ela não tem nada para oferecer à suas noras. O costume do povo hebreu, tendo como base Deuteronômio 25.5-10, era que quando o marido morresse seu irmão ou parente próximo se casaria com a viúva para continuar o nome do falecido. Quando Noemi diz que não tem filhos para se casar com suas noras, está se referindo a esse costume. Para Noemi, o nome de sua família “já era”. Suas noras poderiam casar-se novamente em Moabe, mas ela não tinha nada a lhes oferecer. O que restava para alguém na condição de Noemi era a mendicância.

A única coisa que Noemi tem, naquele momento é amargura (v.13), mas ela não queria compartilhar isso com suas noras. Orfa a deixou, mas “Rute se apegou a ela” (v.14). Rute se apegou a Noemi mesmo quando esta não tinha nada a lhe oferecer.

Na terceira tentativa (vv.15-18) Noemi pede a Rute que faça o mesmo que Orfa, ou seja, que volte para o seu povo e para os seus deuses (v.15). Aqui notamos a conversão sincera de Rute. Ela rejeitou o deus moabita (Quemos) e se voltou para o Deus de Noemi, Javé (v.17).

Lembremos que a conversão no AT é relatada de uma maneira diferente do NT, embora seja da mesma forma, pela fé. Primeiramente, Rute declarou que faria parte do povo de Israel, o povo da Aliança (v.16). Isso caracterizava a sua crença igual a dos hebreus. Em segundo lugar, Rute demonstra sua fidelidade ao Senhor ao querer estar na terra da promessa (v.17), assim como José, no Egito, quando pediu para que seus ossos fossem sepultados em Canaã (Gn 50.25; Êx 13.19). Ela demonstrou ter a mesma fé que sua sogra. Em terceiro lugar, ela demonstrou sua fé ao escolher adorar Javé, o Deus de Noemi ao invés de Quemos (v.17). Temos aqui, portanto, um vislumbre do plano de Deus explicitado no NT com relação à salvação dos gentios.

É maravilhoso notar que Rute se apega a Noemi mesmo diante das expectativas ruins que ela tem acerca do futuro. Mesmo não tendo mais esperanças para o futuro, Rute decide ficar com sua sogra que nada lhe tinha a oferecer. Rute demonstra sua lealdade e misericórdia para alguém que estava no fundo do poço. 

Notamos também uma mulher de fé mesmo numa situação adversa. Rute poderia ter pensado: “Voltarei para minha casa, minha terra, meus parentes e amigos. Vou fazer o que na terra dos israelitas, com uma mulher que Deus abandonou?” Ao contrário disso, Rute disse a Noemi: “Não deixarei você. Seu Deus é meu também”. Fé, lealdade e misericórdia diante de uma grande crise.

Noemi demora para entender as coisas da perspectiva divina. Os versos 19-22 mostram que, na chegada a Belém, as pessoas perguntam por Noemi e ela diz: “Não me chamem de Noemi, mas de Mara” (amarga), pois o “Todo-Poderoso me tem afligido” (v.20, 21). Repare que Noemi não reclama de Deus, mas o chama de Todo-Poderoso, enfatizando a sua crença na soberania de Deus. Ela não está reclamando de sua situação diante das pessoas, mas enfatiza que Deus permitiu que ela assim estivesse. O que ela esqueceu é que Deus tem propósitos maiores na vida dos seus filhos.

Lembremos de José que teve sua vida virada de cabeça para baixo por causa da inveja de seus irmãos. Deus tinha planos maiores para a vida dele. Jó também foi provado mais do que qualquer um de nós, mas depois pôde dizer: “Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem” (Jó 42.5). Lembremos também de nosso Senhor Jesus, mesmo sendo Deus suportou todo o sofrimento nesta terra porque tinha em vista o plano maior do Pai, a nossa salvação. Noemi sabia que era Deus agindo naquela situação, porém, sua amargura não a permitiu enxergar as coisas na perspectiva divina, entendendo que Deus tinha um plano maior em sua vida. Mal sabia ela o que o Senhor reservara para ela e Rute nos episódios seguintes. Mal sabia Rute o rumo que essa novela iria tomar graças ao seu gesto de misericórdia.


Conclusão

Algumas lições ficam claras nesse primeiro episódio. Primeiramente, Deus é soberano sobre tudo, e isto inclui o sofrimento. A fome e escassez, a viuvez e a morte dos filhos, o desamparo que afetou Noemi e suas noras estavam no plano de Deus. Da mesma maneira, momentos difíceis que passamos aqui estão em Seu plano eterno. Não sabemos os “por quês” e, creio, não precisamos saber. É preciso confiar em Sua soberania.

Talvez o seu problema esteja relacionado à falta de dinheiro ou de mantimentos; as coisas andam ruins em sua família; ao que parece, o Todo-Poderoso tem permitido você passar por um período amargo e você não entende porque isso está acontecendo em sua vida. Ainda assim, confie na soberania do Senhor pois Ele pode estar preparando algo maravilhoso para a sua vida.

Quando nos cercar o mal, se rugir o temporal, 
Em Jesus vou confiar, Ele nunca vai falhar. 
Quando a dor ou aflição vem turbar meu coração,
É preciso confiar e nunca duvidar. 

Pois é perfeito o Seu caminho. 
Nem sempre entenderei, porém, O seguirei. 
Pois é perfeito, o Seu caminho. 
Faze, ó Deus, de mim um vaso puro, sim. 
Erros Deus não faz; Pois me dá paz.
(Hino 321, Voz de Melodia)

Em meio a tragédia, podemos confiar nos planos de Deus, pois Seu caminho é perfeito.

A segunda lição que quero deixar é que devemos ter um coração misericordioso e bondoso como o de Rute. Ela sabia que não teria nada de Noemi pois sua situação era miserável. Ainda assim Rute se apegou a ela e não quis deixá-la só, mesmo que isso custasse viver ambas na miséria como indigentes. Rute não quis deixar Noemi. Precisamos ter um coração como o de Rute.

Geralmente nos aproximamos das pessoas esperando que isso nos traga algum benefício ou que se adeque aos “meus interesses”. Fazemos o bem esperando ser recompensados. A parábola do Bom Samaritano ilustra bem o dever de fazer o bem de forma desinteressada, sem querer nada em troca. Isso é o que Deus requer de nós.

Em terceiro lugar, a história de Noemi e Rute nos ensina sobre o valor da amizade em dias ruins. Rute não desistiu de estar com Noemi e apoiá-la quando ela estava vivendo em amargura. “Em todo o tempo ama o amigo e na angústia se faz um irmão” (Pv 17.17). Precisamos ser amigáveis como Rute e apoiar aqueles que precisam de nós em momentos difíceis.

Em quarto e último lugar, esse primeiro episódio nos ensina que nunca saberemos o que um gesto de misericórdia pode proporcionar ao futuro. Rute não tinha ideia de que aquele gesto seu para com Noemi fizesse com que ela fosse contada na linhagem do Messias (4.17-22; Mt 1). Isso me lembra da história de Sir Nicholas Winton, um homem que - em total silêncio e sem alarde - organizou o resgate e passagens para a Grã-Bretanha de cerca de 669 crianças judias da Tchecoslováquia, em sua maioria destinados aos campos de extermínio nazistas antes da Segunda Guerra Mundial.

Sir Nicholas nunca contou a ninguém o que tinha feito até a sua mulher, numa ida ao sótão, vários anos depois, ter descoberto o que ele fez e publicado suas ações. Em 1998, num programa da BBC, foi organizado um encontro dele com algumas pessoas salvas por ele. Num dado momento, foi pedido que todos os salvos por ele se levantassem na plateia. Várias pessoas se levantaram. Nicholas Withon, com seu ato de misericórdia, preservou a vida de centenas de pessoas e proporcionou o crescimento e surgimento de várias famílias. Ele jamais imaginaria que seu ato de misericórdia proporcionasse a ele, no futuro, ver tantas famílias que ele ajudou a preservar.

Sejamos bondosos e misericordiosos como foi Rute. Um pequeno gesto aqui pode fazer uma grande diferença lá na frente. Confiemos no Senhor mesmo em dias ruins. O melhor está por vir. Amém!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Qual o remédio para a ansiedade?

Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. - Filipenses 4:6-7

O jornal Estadão divulgou em janeiro de 2017 que o Brasil tem maior taxa de transtornos de ansiedade do mundo, segundo a OMS. De acordo com a pesquisa, o país ainda é o quinto em casos de depressão. Segundo a OMS, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população. Fatores socioeconômicos, como pobreza, desemprego, e ambientais como o estilo de vida em grandes cidades, pesam nesse cenário.

A simples ansiedade pode ser definida com o sentimento de quem vive no futuro, se preocupando com o que ainda estar para acontecer. Isso pode gerar desconforto, medo, vertigens, irritabilidade, insônia e vários outros sintomas. Pode também gerar problemas mais graves como depressão e ataque de pânico, por exemplo.

Qual o remédio para a ansiedade? A ansiedade tem sido tratada com medicamentos e/ou consultas em psicólogos e psiquiatras. Quando alguém se sente ansioso logo procura um “profissional da área”, alguém que entenda da “alma”. Mas o que a Bíblia pode nos dizer a respeito? Será que existe um bom remédio para quem está ansioso com o amanhã?

O apóstolo Paulo nos mostra, em Fp 4.6,7 (Ler), que a oração é o remédio para a ansiedade. Ele nos diz para não andarmos ansiosos de coisa alguma. A palavra andar ansioso (em grego é uma palavra) significa estar preocupado. Pelo que não devemos estar preocupados? Por nada. É isso que significa coisa alguma. 

Por que não devemos andar ansiosos? Em primeiro lugar, embora seja algo comum em nós, as preocupações atestam nossa falta de confiança na sabedoria, na soberania e no poder de Deus. Não precisamos saber como será o nosso futuro, como disse certo pastor, basta confiar naquele que o controla. 

Em segundo lugar, não podemos acrescentar nada à vida com nossas preocupações. Em Mateus 6.27, o Senhor Jesus questionou seus discípulos sobre a ansiedade: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (NVI). 

Quando somos tentados a carregar o peso das preocupações em nossos ombros frágeis e humanos, lembremos que o melhor remédio que temos a nossa disposição para lutarmos contra a ansiedade é a oração. Leve tudo a Deus em oração (v.6), é o que diz o apóstolo. 

“em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica”. Há algo de maravilho demais nessa frase. Quando oramos, nos colocamos diante do Senhor, tal qual um súdito na presença do seu rei soberano. A oração é o lugar que nos faz estar diante de Deus. Portanto, Deus está em Seu santo trono à disposição de nos ouvir, sejam quais forem as petições.

“em tudo” [...] “com ações de graças”. Essa frase indica que devemos orar em gratidão em todas as situações da vida, quer sejam agradáveis ou adversas (cf 1Ts 5.18). Paulo fala em toda a epístola sobre alegria, sobre viver contente em qualquer situação.  Orar em gratidão é reconhecer que em toda e qualquer circunstância Deus é bom. 

Em 2.14 Paulo diz: "Fazei tudo sem murmurações". A palavra murmuração indica resmungo ou um desprazer secreto e não declarado abertamente. É o contrário de ser satisfeito em Deus. Muitas vezes, repito, muitas vezes, só estamos contentes quando nossas circunstâncias "favorecem". É fácil estar contente quando se tem um ótimo salário, quando se tem uma ótima casa, quando se tem todos os amigos à sua disposição, quando não há conflitos no lar, quando os filhos são obedientes, quando o emprego é o emprego dos sonhos... Seríamos gratos a Deus quando não temos tudo isso? Ou quando nos falta muitas delas? Paulo diz: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (v.11) e por isso ele  disse: “tudo posso naquele que me fortalece” (v.13).

Mesmo quando as coisas não vão bem e estamos ao ponto de mergulhar no mar da ansiedade, devemos orar em gratidão pois temos Alguém que nos ouve e que não nos deixa sós em nenhum momento. O melhor remédio para a ansiedade é a oração.

O remédio prescrito pelo por Paulo traz um ótimo resultado. Somos guardados pelo Deus da paz (v.7). Ele guarda nosso coração e nossa mente em Cristo com sua paz. Nos mostra que a melhor maneira de lidar com as preocupações e não carregá-las conosco, mas lançar sobre Ele, pois Ele tem cuidado de nós (1Pe 5.7). Conforme nos diz o hino, perdemos a paz muitas vezes porque não oramos:

Oh, que paz perdemos sempre
Oh, que dor no coração
Só porque nós não levamos
Tudo a Deus em oração

O que você fará a partir de hoje quando a ansiedade ou preocupação vier? Irá chorar sozinho para que ninguém veja? Vai se consultar com algum médico, antes de ir a Jesus? Você carregará o fardo sozinho, tendo pessoas a sua disposição para lhe ajudar e Deus em seu trono para te ouvir? Você vai confiar em Deus mesmo quando o mundo estiver desmoronando ao seu redor?

Musica no ministério infantil

*Algumas anotações sobre a importância da música no ministério infantil de sua igreja.


I – Por que cantar com as crianças?

A) As crianças podem louvar a Deus verdadeiramente (Mt 21:15,16; cf. Sl 8.1,2).

Hosana ao Filho de Davi. Os sacerdotes e escribas esperavam que Jesus repreendessem as pessoas que estavam louvando-o com essas palavras, inclusive as crianças. Mas Jesus disse: “Ué! Vocês não leram os salmos não? Lá diz que da boca das crianças saem um louvor perfeito.” O que as crianças declararam era a verdade. Jesus é, de fato, o Filho de Davi. Cristo afirma, então, a sinceridade no coração das crianças quando elas louvam.

B) Há um convite nas Escrituras para que todos louvem ao Senhor e isto inclui as crianças (Sl 148:12)
  1. O louvor das criaturas celestiais (vv. 1-6)
  2. O louvor das criaturas terrestres (vv. 7-14)
  3. *cf. Sl 145.21; 150.6
C) A música cristã transmite uma mensagem para todas as pessoas, isso inclui as crianças. 
  1. Ensino, Sl 25; 32:8; 34.11; Dt 4.10; Ed 7.10
  2. Edificação, Cl 3:16; Ef 5.19; Fp 4:8
  3. Evangelização, 1Co 15.3,4).
A música cristã é aquela que transmite uma mensagem das Escrituras que ensina, edifica ou fala da obra de Cristo, sempre visando o louvor a Deus.

II – Quais os benefícios que a musica pode trazer às crianças?

A) Auxilia na aprendizagem. 

Os hebreus tinham um método de aprendizagem da lei de Deus que também é bastante utilizado por nós: a memorização. Nós decoramos versículos. Eles decoram passagens inteiras da Lei.

Desde criança (cf. Dt 6) os hebreus aprendiam a lei, ficavam memorizando, colocavam (e ainda fazem isso) filactérios (caixinhas) com versículos na testa. Não é muito difícil um judeu não saber todo o pentateuco memorizado.

Em nossa cultura isso não é muito incentivado. Porém, a música é uma grande ferramenta para auxiliar no aprendizado da Palavra de Deus, tanto para nós como para as crianças.

"A Música é excelente recurso para auxiliar o desenvolvimento da criança, a fim de que seja atingido êsse [sic] nível de maturidade indispensável à aprendizagem. Assim, temos que, além de levar ao desenvolvimento geral, auxilia particularmente a coordenação motora, a acuidade auditiva, a acuidade visual, a memória, a atenção, etc" (COSTA; DEL VALLE, p. 13).

Acuidade significa capacidade de percepção. Com o auxilio da música, a criança desenvolve sua coordenação motora, desenvolve sua capacidade de ouvir (isso consequentemente o ajudará a desenvolver sua musicalidade), desenvolve sua acuidade visual (é o grau de aptidão do olho, para discriminar os detalhes) especialmente os que tocam instrumentos, ajuda a exercitar a memória (diferente dos hebreus, lembra?) e melhora a sua atenção.

Para os ministérios que desenvolvemos na igreja com crianças, a música é essencial para fazê-las ter atenção (acalmar as crianças em alguns casos) no momento do ensino da Palavra de Deus.

"Através da Música podemos criar ambiente favorável para o que se deseja ensinar, uma vez que ela é sempre agradável às crianças, desde que observados certos princípios em relação à música a ser dada, como o da qualidade, da adequação ao nível das crianças, a técnica de ensina usada, etc" (Ibid, p. 14, grifo nosso).

B) Auxilia na integração social.

"As atividades musicais compartilhadas, como o canto coletivo e a banda rítmica, são elementos que a um só tempo farão sentir êsses [sic] dois aspectos: o da necessidade de cooperação e o do respeito ao próximo, tão úteis na socialização da criança" (Ibid, p. 11).

C) Auxilia psicologicamente. 

Aqui a música funciona como um reforço, um auxilio para crianças tímidas ou muito agitadas. Ajuda a desenvolver um equilíbrio emocional.

III – Quais os critérios para o preparo dos cânticos infantis?

A) Deve obedecer ao propósito do ministério infantil que está sendo desenvolvido por sua igreja (CLUBIC, EBEC, OANSE, EBD, Classe de Cinco Dias, Berçário ou Culto Infantil).
  • Evangelizar, Edificar as crianças crentes e Implantar missões no coração da criança (EBEC).
B) A letra da música é o fator mais importante para comunicar bem a mensagem.
  1. Deve ser clara. Em caso de palavras desconhecidas explique.
  2. Deve ser bíblica (Cl 3.16). Não queremos dizer que deve conter necessariamente uma letra extraída da Bíblia. Mas deve falar das verdades dela.
    • Há músicas não cristãs que contém princípios bíblicos (Ex: A música “Não atire o pau no gato” ensina um princípio bíblico de não maltratar os animais [Pv 12.10]). No entanto pode cair no erro de não ser clara para. Além disso, há diferenças de contexto. 
    • Não pode conter erros doutrinários. (Obs: deve-se ter o cuidado com o acompanhamento musical para não tirar a atenção da mensagem).
    • Modifique a letra, se necessário.
      • As árvores balançam
      • Balançam, balançam,
      • As árvores balançam
      • Mostrando o amor de Deus. 
      • [ao invés de balançam como a brisa]
C) No ato da escolha das músicas, deve-se ter em mente o público alvo (berçário, culto infantil, etc).
  • Depedendo das crianças que você estiver ministrando, escolherá músicas mais curtas do que o normal (berçário). (Ex: É hora, é hora, é hora da história...)
D) É importante um aprimoramento da musicalidade do responsável pelos cânticos.
  1. Creio que não precisa ser alguém que seja um grande músico ou musicista. No entanto, é necessário que seja alguém que se esforce para fazer sempre o melhor.
  2. Professores mais tímidos devem treinar sua dinâmica, fazer exercícios para apresentar-se diante das pesssoas (Alguns tem mais facilidade de estar diante de uma igreja lotada do que diante de 20 crianças).
  3. O instrumentista deve estar sempre se capacitando.
IV – Como preparar cânticos para o ministério infantil?

A) Escolha as músicas. Uma das grandes dificuldades que tenho percebido entre aqueles que trabalham nessa área é a escolha das músicas.
  1. Dispomos de uma variedade de recursos para busca de cânticos na net:
    • Internet: Google!
    • Videos YouTube. Exemplos: Três Palavrinhas e Turma do Cristãozinho (mostrar).
  2. O livro Manual Prático para o Culto Infantil alista algumas sujestões:
    • Procure usar os quatro volumes de coletânea da APEC (procure no site a APEC).
    • Coletânia da JUERP, o Cantarolando.
    • Musicais da Turma do Printy.
    • Há diversos CDs e DVDs de cânticos infantis disponíveis em qualquer livraria evangélica.
B) Prepare slides ou cartazes com as letras dos cânticos. Coloque cânticos fáceis de decorar.

C) Utilize acompanhamento musical (Instrumental ou Playback). Melodia simples.

D) Seja dedicado, o ministério infantil é coisa séria. 


Referências
  • BECK, Fabiana Weischung; AITA, Luciana Pereira; CAMARGO, Maria Aparecida Santana. A experiência musical na educação infantil. Disponível em: http://www.unicruz.edu.br/seminario/artigos/humanas/. Acesso em 27/08/2015.
  • COSTA, Nïobe Marques da; DEL VALLE, Edna Almeida. Música na escola primária. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, [s/d].
  • LEONARD, Julie Hansen. Música: comunicação de louvor e adoração. Material de aula ministrada no Seminário Batista do Cariri, p. 11-13.
  • RANGEL, Rawderson; XAVIER, Manoel. Manual prático para o culto infantil. Curitiba: AD SANTOS EDITORA, 2006.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Soli Deo Gloria: Somente a Deus a glória

Romanos 11:33-36
33  Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!
34  Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?
35  Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?
36  Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!


No AT Deus fez uma promessa a Abrão. Deus fez com ele uma aliança e prometeu abençoa-lo, dando uma descendência numerosa (fazendo dele uma grande nação incontável), mudou seu nome para Abraão e lhe prometeu uma terra. Seu filho Isaque foi herdeiro de tal promessa. Jacó, seu filho, teve doze filhos. Aqui a promessa feita a Abraão começava a ficar ainda mais clara pois os doze filhos se tornaram um grande povo. No Egito, após Deus usar José para preservar a vida dos seus irmãos, o povo cresce e causa preocupação aos egípcios.

O povo de Israel foi escravizado no Egito, pois o rei tinha medo que os hebreus se rebelassem e tomassem o Egito. Faraó mandou matar os recém nascidos do sexo masculino com o fim de acabar com o crescimento do povo, mas Deus lhes dá o crescimento. Deus concede a este povo a libertação do cativeiro egípcio por meio de Moisés. Este conduz o povo a terra que Deus prometera a Abraão. O povo desobedece a Deus e sofre suas consequências no deserto. O povo chega na terra prometida, usufrui das promessas de Deus, mas ainda em desobediência. Deus o entrega a outros povos (exílios assírio e babilônico).

Deus faz promessas de um Messias que viria para restaurar a nação de Israel. No entanto, a Bíblia diz que Ele veio para eles (os judeus), mas eles não o receberam (Jo 1.11,12). Por que a nação que Deus escolheu o rejeitou? O apóstolo Paulo trata sobre isso nos capítulos 9-11.

Embora Deus tenha escolhido Israel para ser o Seu povo, isso não significa que todos os judeus são salvos. Não é verdade que todo o Israel tem sua salvação garantida só pelo fato de serem descendentes de Abraão. O apóstolo Paulo nos mostra nos primeiros capítulos de Romanos que TODOS, tanto judeus como gentios, são pecadores (3.23).

No cap. 9, Paulo mostra as razões da incredulidade dos judeus, o por que de terem rejeitado a Cristo.
Apesar de Israel ser o povo escolhido por Deus no AT, não significa que todo o Israel (cada israelita) é salvo (3-6). Por que eles rejeitaram a Nova Aliança? Deus não prometeu que eles seriam salvos? Paulo explica que nem todos eles são, de fato, herdeiros de Abraão, mas aqueles que creem nas promessas (judeus e gentios). A salvação nunca foi um direito de nascimento baseado na descendência biológica, mas pela graça soberana de Deus (Deus escolheu Jacó, por exemplo, com base em sua soberana vontade, vv.11-13).

A eleição e rejeição de Deus é justa (v.14-18). Assim como endurece o coração ou usa de misericórdia com quem ele quer (17-18). Os judeus buscavam a salvação por meio da lei, transformaram a salvação num prêmio que pode ser conseguido por meio das obras. Eles rejeitaram a Cristo, com isso. Já os gentios, que não buscavam a salvação, alcançaram apenas por fé (30-33). Paulo mostra que vivemos, desde a morte de Cristo, numa nova dispensação, numa nova era: a era da igreja.

No capítulo 10 temos a oração de Paulo (v.1). Ele ora pela salvação dos judeus pois eles têm zelo por Deus (v.2, como os fariseus tinham). Eles procuravam estabelecer sua própria justiça, isto é, ser justificados pelas obras da lei, à parte de Cristo. A justiça de Deus se alcança por meio da fé somente (9,10) e essa fé vem por meio da pregação (17). Assim, os judeus precisam ser evangelizados como quaisquer outros descrentes.

Israel é indesculpável por rejeitar ao Senhor, mesmo que o endurecimento deles fizesse parte do plano de Deus. Por que são indesculpáveis? A revelação natural testifica de Deus (18,19); Moisés já havia advertido o povo (19); Isaías profetizou sobre a plenitude dos gentios [era da igreja] (20); Israel sempre demonstrou rebeldia (21).

O capítulo 11 nos mostra que, apesar do endurecimento do coração dos judeus, Deus tem um plano futuro para Israel. Paulo utiliza alguns exemplos para mostrar que Deus ainda tem planos para com Israel:

1.       O próprio Paulo (1)
2.       Elias e os sete mil que não se dobraram à Baal (2-6). Deus tem, hoje, um remanescente de Israel que crê nEle e no Messias. [detalhe “a quem de antemão conheceu”,v.2 | a eleição de Deus garante a salvação do remanescente fiel, 8.28,29].
3.       Isaías: O endurecimento fazia parte do plano de Deus (7-8).
4.       Davi falou sobre o endurecimento de Israel (9-10).
A rejeição de Israel fazia parte do plano de Deus, pois, através disso, veio a salvação aos gentios (11). O endurecimento de Israel está servindo ao propósito de Deus.

Paulo utiliza uma ilustração para falar da rejeição de Israel – plenitude dos gentios – restauração de Israel: vv. 17-23: “ramos naturais quebrados” [judeus e sua rejeição] – “ramos de oliveira brava enxertados” [gentios] – “ramos naturais” enxertados de volta [restauração de Israel no futuro, reino milenar].

Deus não rejeitou Israel para sempre, embora seja inimigo do evangelho (27-29). Entretanto, Deus os elegeu e sua decisão é irrevogável (29). Deus dá como certa a salvação do remanescente fiel de Israel.
Assim como nós fomos alvos da misericórdia de Deus, sendo nós desobedientes, Israel receberá misericórdia de Deus mesmo sendo desobedientes (30-32). A salvação sempre foi pela graça, seja para judeus ou para gentios.

Os versos 33-36 nos mostra que Deus deve ser louvado por suas maravilhas, por seus designios, por suas decisões, sua sabedoria, sua soberania.

Por que estou lhes apresentando tanta informação? É isso o que o apóstolo Paulo faz aqui. Ele argumenta que todos são pecadores, que somos salvos por meio da fé; que o crente não tem mais condenação; que nada pode nos separar do amor de Deus; que ele nos salvou por meio da graça soberana. Ao reconhecer que a nossa salvação vem de Deus e não de nós mesmos, que Ele nos garante a salvação e não a perdemos, qual deve ser a nossa reação? Louvar a Deus. Por que? Porque só a Deus deve ser dada toda a glória, tendo em vista que nada, ABSOLUTAMENTE NADA fez com que Ele se importasse conosco, a não ser o Seu amor. Nada, ABSOLUTAMENTE NADA fez com que Ele tomasse Suas decisões eternas em nosso favor. Tudo o que Deus faz é para a sua glória. É dele, por meio dele e para Ele. Deus se importa mais com Sua glória.

Deus salva para a Sua glória, Deus condena para a Sua glória. Nenhuma atuação externa “mexeu” no coração de Deus para que Ele salvasse ou condenasse alguém. Ele nos salva por sua soberania, porque os seus desígnios são absolutamente ricos em sabedoria. Tudo isso é motivo de sobra para reconhecermos que a glória deve ser dada apenas a Deus.

Deus nos criou para a Sua glória (Is 43.6-7; 1Co 10.31). “Deus nos cria para Sua glória, ou seja, para magnificar, revelar e exibir a sua grandeza, e, então, Ele nos diz para vivermos dessa forma, vivermos de modo que a grandeza de Deus seja exibida” (John Piper).


Foi tudo feito por Deus. Tudo foi feito por meio de Deus. Tudo foi feito para Deus. Irmãos, não se trata de mim e de você, mas de Deus. Ele nos criou para Ele. Em tudo devemos glorificá-lo, exaltá-lo. Por isso, tenho que deixar claro que em todas as circunstâncias da vida Deus deve ser considerado. Tudo o que vou fazer Deus tem de vir a minha mente. “Senhor, isso te alegra?” Não estamos vivendo nossa história, mas a história de Deus. Portanto, tudo deve ser para Ele. Amém!