segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Sola Scriptura: A Bíblia é Suficiente

14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15  e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16  Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17  a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. (2 Timóteo 3.14-17)



Uma doutrina que nós batistas sustentamos é a doutrina da Suficiência das Escrituras. Com isto afirmamos, com base na própria Escritura, que a Bíblia é suficiente para nos conduzir a um relacionamento com Deus em fé, bem como, o nosso relacionamento com o próximo. Em 2 Pedro 1:3, temos: “Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude”. O que precisamos saber para conhecer a Deus, sua vontade, a Cristo, sua obra, como viver nesse mundo, encontramos nas Escrituras.

Essa é uma doutrina que nos diferencia em muito do catolicismo romano. Num blog católico se faz uma crítica aos protestantes por defenderem a doutrina sola scriptura. Veja o que é dito:

“Ao contrário dos protestantes, é fundamental para os católicos situar a Sagrada Escritura na realidade eclesial, em sua correlação com a Tradição e o Magistério perene da Igreja: para nós, não é possível falar de Bíblia sem a Igreja. Daí a origem do que professamos no Credo: “Creio (…) na Santa Igreja Católica“. A Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério são “extensões” da Palavra viva de Deus, que é Jesus Cristo (Jo 1,1).”[1]

Para a Igreja Católica, a Bíblia não é a única autoridade, mas o é juntamente com sua Tradição e o Magistério. Foi isso que originou o que ficou conhecido como sola scriptura, uma das cinco doutrinas (solas) que resumem a Reforma Protestante, que aconteceu há 500 anos, na Alemanha.

A Reforma Protestante (de onde veio a expressão protestantes para designar os não-católicos) foi um movimento reformista cristão contrário a diversos pontos da doutrina Católica Romana. A ideia inicial era a de reformar o catolicismo, não sair dele. No entanto, sair dele foi inevitável.

Em 31 de outubro de 1517, segundo alguns historiadores, Martinho Lutero, monge católico, afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg as famosas 95 testes. A Igreja Católica ameaçou Martinho Lutero com a excomunhão (e morte) se ele não se retratasse formalmente. A resposta de Martinho Lutero foi: 

“Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; que Deus me ajude. Amém."

Como resultado da Reforma, houve uma divisão da chamada Igreja do Ocidente entre católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o protestantismo.

A consciência de Lutero era cativa à Palavra de Deus. Sua autoridade era a Bíblia e não as falsas doutrinas que eram (e ainda são) ensinadas pelo romanismo. O Sola Scriptura tornou-se, então, um dos pilares da Reforma. As igrejas protestantes têm como autoridade, regra de fé e prática, as Escrituras Somente. A Bíblia é suficiente!

Mas o que a Bíblia tem a dizer sobre a sua suficiência? Em que sentido ela é suficiente? Vejamos três verdades sobre a suficiência da Escritura.

A primeira verdade é que somente a Bíblia nos apresenta a salvação em Cristo (14-15). Somente as Escrituras podem nos fazer sábios para a salvação pela fé em Cristo. Isso fica muito claro no verso 15, mas examinemos o que diz o verso 14.

Paulo manda que Timóteo permaneça naquilo que aprendeu e foi inteirado. Mas ele inicia o verso com um sonoro TU, PORÉM. Expressão essa utilizada várias vezes pelo apóstolo nas epístolas pastorais. Sabe-se que o pastor Timóteo estava enfrentando problemas no ministério em Éfeso. Ao que parece, havia problemas relacionados à perseguição e falsos crentes na igreja. Tudo isso deixava Timóteo desanimado. No início do capítulo 3 Paulo adverte a Timóteo que nos últimos dias (que eles já viviam) os tempos seriam difíceis por causa da corrupção humana. No verso 10 ele diz: “TU PORÉM, tens perseverado.” No verso 13 Paulo volta a falar dos homens perversos: “Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados”. “Olha Timóteo, os homens irão piorar em suas maldades, mas, TU PORÉM (v. 14), permaneça naquilo que aprendeste e foste inteirado. Timóteo deveria se apegar a Palavra mesmo em tempos difíceis de apostasia da fé, de revolta contra Deus.

Notemos a expressão foste inteirado(sentir confiança, ser convencido). Uma expressão no português que reflete bem o que Paulo está dizendo é fidelizar, i.e., “tornar (um cliente) fiel a um produto, marca, serviço etc”. A ideia básica é que Timóteo foi “fidelizado” por Paulo, tornando-se fiel ao que ele (o apóstolo) propôs. Timóteo foi feito fiel por Paulo, ao ensiná-lo a Palavra.

Outro ponto a ser notado é que somente Paulo (e os demais escritores da Bíblia) poderia dizer: "permaneça naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste" (2Tm 3.14). Ora, o particípio causal utilizado aqui (sabendo = porque, visto que) visa estabelecer a razão, o motivo para se fazer o verbo da ação (permanecer). Assim, Timóteo deveria permanecer no ensino paulino por causa da autoridade do apóstolo (de quem o aprendeste/foste inteirado). Ao meu ver há aqui (ao menos) um claro indício de que Paulo tinha em mente, ao falar de Escritura em 2Tm 3.14-17, não somente o AT, mas também o ensino apostólico, i.e., o NT. Timóteo deveria permanecer na Palavra apostólica. Por que? Porque ela nos apresenta a salvação em Cristo (v.15).

Que desde a infância. O dever dos pais judeus era ensinar a lei aos filhos a partir dos cinco anos de idade. Timóteo fora instruído na fé por sua mãe (Eunice), que por sua vez foi instruída pela avó de Timóteo (Loide). Timóteo sabia desde a sua infância as sagradas letras, isto é, as Escrituras. Paulo o orienta a permanecer nela, pois é o livro que nos conduz a Cristo.

Na época da Reforma de Lutero, havia a venda de indulgências por parte da Igreja Romana. A igreja se aproveitava dos fiéis, vendendo supostas "relíquias" (madeira da cruz de Cristo, por exemplo), ou cobrando pagamentos e doações para a Igreja, com o fim de terem, por exemplo, seus pecados perdoados. Lutero foi contra isso. A Bíblia também.

Mas, ainda hoje há uma venda de salvação, de libertação e de curas em igrejas ditas evangélicas. Paulo nos mostra que a Escritura é suficiente para nos apresentar a salvação em Cristo. A fé vem pelo ouvir a Palavra (Rm 10.17). Nosso evangelismo deve ser a apresentação da Palavra para os homens e não apenas contar histórias.

A palavra é suficiente para nos tornar sábios para a salvação pela fé em Cristo. Foi o que aconteceu com Lutero. Mesmo tanto tempo na Igreja, como um monge católico, ao ler Romanos 1.17, “o justo viverá pela fé”, se entregou ao Senhor Jesus de verdade, pois a fé vem por meio da Palavra.

A segunda verdade que precisamos saber sobre a suficiência das Escrituras é que somente a Bíblia é inspirada por Deus (16a). A Bíblia é o livro de Deus, não de homens.

Agora, precisamos entender que Escritura é essa a que Paulo se refere. Comumente se ouve que Paulo está se referindo ao AT, uma vez que o NT ainda estava sendo desenvolvido. Como apontei no verso 14, ele já tinha em mente até o que ele transmitiu a Timóteo (“sabendo de quem o aprendeste”). Ele não se referia apenas ao AT, mas também ao NT (cf. 1Tm 5.18; Dt 25.4; Mt 10.10; Lc 10.7, onde Paulo chama citações do AT e do NT de Escritura, isto é, Palavra de Deus).

Assim, toda a Bíblia é inspirada por Deus. Há uma tradução errada desse texto que diz: “toda escritura inspirada é proveitosa” (ARC, ASV e NEB). Isso gera um problema, pois, deixa a impressão de que nem toda a Bíblia é inspirada, mas que há uma parte inspirada e outra não. Cremos que a Bíblia toda é inspirada por Deus.

Com inspiração queremos dizer que esse “foi o ato milagroso de Deus através do qual Ele moveu os escritores da Bíblia para que escrevessem aquilo que Deus queria que fosse escrito, sem cometer erro naquilo que escrevessem”. Não é um livro de homens ou de particular elucidação, mas é o livro de Deus, inspirado por Deus.

Ora, se Deus detém toda a autoridade do universo, o que ele fala também tem autoridade. Assim, a Sua palavra é autoridade para nossas vidas porque reflete o caráter de Deus.

A terceira verdade sobre a suficiência das Escrituras é que somente as Escrituras nos habilita para toda a boa obra (16b-17).

No verso 16 temos dois pontos subordinados a “Toda a Escritura”. Toda Escritura é o que? Primeiro, ela é inspirada por Deus. Segundo ela é útil. Útil para que? As respostas refletem todas as áreas de nossa vida (ensino, repreensão, correção, educação na justiça). O verso 17 resume tudo, afirmando que a utilidade das Escrituras têm a finalidade de nos tornar habilitados, capacitados, aperfeiçoados, para toda a boa obra.

O que isso significa? Significa, por exemplo, que a Escritura é suficiente para o aconselhamento cristão. Não nego a importância de psicólogos ou psiquiatras, como não nego a importância de tomar remédios. Mas só a Bíblia (só Deus) conhece e sabe tratar da alma, de como devemos proceder em meio ao sofrimento, de como lidar com a perda, de como lidar com meus sentimentos, etc.

Só ela nos habilita para toda a boa obra, também, significa que ela é suficiente para o nosso andar diário. Ela nos mostra como servir a Deus. Ela nos mostra como proceder neste mundo caído. Ela é o nosso código de conduta, cujo legislador não é brasileiro, ou seja, é um livro todo justo. Ela nos aperfeiçoa para vivemos de modo a agradar a Deus.

Veja, a regra é a Bíblia! Temos que ter o cuidado para não fazer como outras religiões fizeram, colocando tradições humanas, regras humanas, e afirma-las como se fossem de Deus. Só a Palavra têm autoridade e é suficiente para nos guiar e nos habilitar para toda a boa obra.

Só a Bíblia têm todas as respostas que precisamos saber. Mas, sabe porque não sabemos muitas delas? Porque não fazemos o que Paulo manda no verso 14: “permanece”. Como podemos permanecer na Palavra? Subindo em cima dela? Não! Lendo, ouvindo, meditando na Palavra. Se a Bíblia é suficiente, devemos segui-la. Nossas opiniões são boas, as vezes, mas só a Lei do Senhor é perfeita.

A Bíblia é suficiente porque somente ela nos apresenta a salvação em Cristo, somente ela é inspirada por Deus e somente ela nos habilita para toda a boa obra. Que você seja apegado a este livro como o salmista, que disse: “Quanto amo a tua lei, é a minha meditação todo o dia”. Amém!





[1] https://catolicismopuroesimples.wordpress.com/2015/07/07/a-legitimidade-da-sola-scriptura/

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Bem-aventurados os que choram

"Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" - Mateus 5.4

Estamos diante de uma frase dita por Jesus que é, aparentemente, paradoxal: “É feliz quem chora”, em outras palavras. É também uma declaração ridícula aos olhos mundanos, o qual diz: “seja tão feliz quanto lhe for possível”, sem atentar para o que é a verdadeira felicidade.

Assim como a humildade de espírito (v.3) não tem a ver com questões financeiras, o “choro” que nos faz ser bem-aventurados é algo espiritual. Esse “choro” é espiritual e resulta do fato de ser alguém “humilde de espírito”. Sendo assim, quem são esses que choram?

Primeiramente, os que choram são aqueles que veem a si mesmos e choram por seus pecados, em vista das coisas que praticam. São aqueles que observam o quanto desagradaram a Deus com suas práticas malignas e lamentam por isso.

É necessário que façamos um autoexame diário acerca de nossas ações pecaminosas. “O que fiz? O que eu disse? O que pensei? Como agi dessa maneira com fulano?” Esse é o lamento de um coração arrependido e disposto a agir de forma diferente.

Em segundo lugar, são aqueles que choram ao contemplar sua condição de pecaminosidade. Não se trata de apenas ver suas ações malignas, mas o seu coração disposto para o mal ou o fato de saber que somos pecadores. Ao realizar o autoexame, o crente deve lamentar pelo fato de ser pecador.

Muitas vezes somos tentados a nos superestimar, achar que somos “grande coisa”. Temos que reconhecer quem realmente somos. O pecado ainda está em nós e temos de lamentar e chorar por isso. Conforme o apóstolo Paulo confessou: “Desventurado home que sou!” (Rm 7.24). Assim, bem-aventurado é aquele que se vê como um infeliz por seus pecados.

Ainda, aqueles que choram por causa dos pecados alheios. Estes se entristecem ao ver um irmão cair no pecado. Ele lamenta ao constatar os efeitos do pecado na sociedade e no mundo em geral. Chora ao contemplar a miséria, desordem, infelicidade, sofrimentos e guerras. É o choro de lamentação ao ver o que o pecado afetou. O Senhor Jesus nos deu um exemplo disso em Jo 11.35. Ele chorou ao ver o povo sofrendo por causa da morte de Lázaro. Ele se compadeceu ao ver os efeitos do pecado ali: morte e sofrimento.

Por que são felizes os que choram? Porque serão consolados.

Somos consolados inicialmente no momento do arrependimento (conversão). Começamos a trilhar o caminho da felicidade. Também durante a nossa caminhada cristã. “O crente enxerga a si mesmo como alguém culpado de pecado, e a princípio isso o rebaixa e impele-o a lamentar-se. Por sua vez, isso fá-lo voltar-se novamente para Cristo; e, no momento em que ele se volta para Cristo, sua paz e sua felicidade retornam, e ele é consolado” (D. Martyn Lloyd Jones).

Os que choram serão consolados, finalmente, na “bendita esperança” (Rm 8.18-25).
Embora devamos “chorar” pelo pecado, devemos “chorar esperançosos” de que um dia viveremos sem a presença de nenhum mal desta vida e seremos consolados para sempre. Amém!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Lista de percepções exegéticas do livro de gramática de William D. Mounce

Para quem estuda grego com William D. Mounce e a quem mais interessar. Nessa lista você encontra todas as passagens bíblicas discutidas no livro Fundamentos do Grego Bíblico e que pode nos dar uma "luz" na hora do estudo bíblico.

1. Baixe a lista clicando aqui.
2. Imprima
3. Anexe ao livro

Bons estudos!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

NÃO SE SURPREENDA COM A TRIBULAÇÃO, MAS FIQUE ESPERTO!



1 Pelo que, não podendo suportar mais o cuidado por vós, pareceu-nos bem ficar sozinhos em Atenas; 2 e enviamos nosso irmão Timóteo, ministro de Deus no evangelho de Cristo, para, em benefício da vossa fé, confirmar-vos e exortar-vos, 3 a fim de que ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto; 4 pois, quando ainda estávamos convosco, predissemos que íamos ser afligidos, o que, de fato, aconteceu e é do vosso conhecimento. 5 Foi por isso que, já não me sendo possível continuar esperando, mandei indagar o estado da vossa fé, temendo que o Tentador vos provasse, e se tornasse inútil o nosso labor. (1Ts 3:1-5 ARA)

Em 1Ts 3.1-5 Paulo demonstra o seu profundo desejo de rever os tessalonicenses, já que Satanás o havia impedido de estar entre eles noutra oportunidade. Ele pretendia "confirmá-los" e "exortá-los", isto é, encorajar e fortalecer os irmãos, para que eles não fiquem perturbados (fiquem "inquietos") com as tribulações.

O ensino de Paulo é que o crente precisa ser forte diante das tribulações. Por que razão? Primeiramente, o crente precisa ser forte porque fomos "designados" para a tribulação (v.3). A tribulação é "de lei", conforme a expressão usada no Nordeste, ou seja, é algo esperado. Não podemos nos surpreender com as perseguições ou aflições que enfrentamos nesta vida, pois isso já é esperado.

Em segundo lugar, o crente precisa ser forte diante das tribulações porque o Satanás pode se aproveitar dessas perturbações para nos provar (v.5). O diabo pode se aproveitar dos momentos de fraqueza que passamos para nos fazer tropeçar. Ele pode, diante das tribulações, nos desencorajar, nos fazer perder a fé.

Diante disso, embora não devamos estar surpresos quando somos atribulados, temos que ser fortes em Deus, para que o Adversário não se aproveite e tente nos enfraquecer. Lutemos, portanto, em oração e fé quando as provações vierem ao nosso encontro.

Não se surpreenda com a tribulação, mas fique esperto!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Lugar de mulher é onde Deus quer

Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; 
que se cumpra em mim conforme a tua palavra. 
E o anjo se ausentou dela (Lc 1:38).

É interessante notarmos como Maria recebeu a grandiosa missão de ser a mãe do Salvador. O anjo Gabriel ao se achegar para dar-lhe a notícia de que ela conceberia e daria a luz a Jesus, disse que ela havia recebido o favor de Deus (v.30), afinal, se tornaria a mãe do Filho do Altíssimo.

Mas, algo que deve nos encantar também é a forma como ela recebe a sua missão. Ela diz: "Estou aqui, faça-se conforme a tua palavra". Ela estava pronta, porque o lugar dela era onde Deus quisesse.

Recentemente uma expressão tem tomado força na mídia, especialmente nas mídias sociais, a ideia de que Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser, rebatendo a ideias de que o lugar da mulher não se restringe à cozinha, por exemplo.

Deus estabeleceu papéis específicos para a mulher. Dessa forma, o seu lugar (assim como dos homens) não é onde ela quiser, mas onde Deus quer.

O que Deus requer da mulher? Que seja auxiliadora (Gn 2.18,20); que seja sábia (Pv 14.1); que seja uma esposa prudente (Pv 19.14); que seja virtuosa, batalhadora e tema ao Senhor (Pv 31.10ss); que sejam submissas ao marido, como a igreja é submissa a Cristo em temor a Deus (Ef 5.22,24); que andem piedosamente (1Tm 2.9).

Ao compreender essas verdades, você, mulher, deve ser como Maria e dizer: "Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra".

segunda-feira, 6 de março de 2017

Não parece, mas está no plano de Deus - Gênesis 37

Leia Gênesis 37

O plano de Deus é uma doutrina fundamental dentro da Teologia. A palavra do Senhor nos diz que Deus faz todas as coisas conforme o conselho de Sua vontade (Ef 1:11). O que significa plano de Deus? É a decisão eterna de Deus em tornar certa a concretização de todas as coisas. Creio, com base nas Escrituras, que tudo acontece por estar no plano de Deus. "Deus nada faz sem um plano ou razão", assim creio.

Sendo assim, iremos contemplar algumas verdades nas Escrituras acerca do plano de Deus. A partir da exposição de Gênesis 37 espero que compreendamos um pouco melhor acerca do plano eterno de Deus.

Leiamos os primeiros quatro versículos (vv. 1-4) para “visualizarmos” os personagens. 

1. Iniciamos com uma pausa. Esta é a história de Jacó (v.2). Perceba que a história de Jacó é narrada a partir do capítulo 25, em que Esaú vende o seu direito de primogenitura até o capítulo 35 em que narra os seus descendentes. O capítulo 36 é um “intervalo”, narrando os descendentes do irmão de Jacó, Esaú. Depois desse “intervalo”, Moisés (autor do livro de Gênesis) termina o relato no início do v.2 do capítulo 37. Jacó e sua família moravam na terra de Canaã, a terra que havia Deus havia prometido à Abrão e sua descendência (13:12,14,15). Mas, ainda não era o tempo de desfrutar daquela terra. Algumas coisas ainda teriam que acontecer.

2. José e seus irmãos apascentavam os rebanhos do pai. José era um jovem de 17 anos e que constantemente trazia “más notícias” dos seus irmãos ao seu pai. Há quem interprete esse relato como mexerico ou fofoca. A ideia seria a de que José fazia fofoca dos seus irmãos ao seu pai. Más notícias, dependendo do contexto, podem significar “mexerico, difamar ou má fama, infamar”. Neste contexto, no entanto, fica claro (ao meu ver) que José levava “más notícias” dos seus irmãos de coisas ilícitas que eles praticavam. Ao que parece, também, era algo que o pai pedia (v. 14).

3. Israel amava mais a José e, além disso, fez “uma túnica talar de mangas compridas”, era um "casaco multicolorido", ou "uma vestimenta cerimonial com ornamentos", como se fosse vestes reais, destinadas a um rei. Isso provocou a ira dos irmãos de José, os quais não tratavam mais com paz (v.4).

Iremos agora adentrar nos próximos versos e compreender um pouco acerca do plano de Deus.

I. Os sonhos de José e o plano de Deus (vv. 5-11).

Havia algo especial em José. Ele sonhava. Ah, mas todos nós sonhamos! A diferença é que os sonhos de José tinha um propósito especial: eles revelavam o plano de Deus. Os sonhos de José revelavam as coisas que iriam acontecer. 

O primeiro sonho de José: Ele e seus irmãos atavam/amarravam feixes/palhas. De repente, o feixe de José se levantou e os feixes de seus irmãos o rodearam e se inclinaram diante dele, como se inclina para um rei. Isso indicava o que aconteceria com José e seus irmãos. José estaria numa alta posição diante de seus irmãos, os quais iriam inclinar-se perante ele. Isso despertou ainda mais ódio de seus irmãos (v. 8).

O segundo sonho de José: O sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante ele. O sonho indica que o seu pai, sua mãe e seus onze irmãos se prostrariam perante José, como se prostra diante de um rei. Além do ódio de seus irmãos, José ganha repreensão de seu pai.

No entanto, chama-nos à atenção o v. 11. Os irmãos de José têm ciúmes dele, ao passo que o pai “considerava o caso consigo mesmo”. Embora tenha repreendido José, Jacó entende que aquilo deve significar alguma coisa. Ao menos ele passa a reconhecer que Deus pode estar querendo lhe mostrar algo naqueles sonhos de José. 

Deus havia feito uma aliança com Jacó, onde passou a ser chamado Israel. Deus prometeu lhe dar a terra que havia prometido aos seus pais Abraão e Isaque (35:10-12). Talvez Jacó tenha pensado acerca dessa promessa que Deus lhe fez e passou a juntar as peças do quebra-cabeças.

Então, perceba que o plano de Deus não acontece da maneira que gostaríamos, mas como ele quer. 

II. O plano de Deus não pode ser impedido (vv. 12-28).


José é enviado por seu pai para trazer notícias de seus irmãos enquanto estes estão apascentando o rebanho. Quando José está a caminho e é avistado por seus irmãos, logo tramam algo contra ele (v.18).
O plano inicial era matar José. Vejam a que ponto pode chegar o ódio, o ciúme e a inveja. Se cultivarmos em nosso coração tais sentimentos seremos capazes de praticar as mais terríveis atrocidades. Devemos ter cuidado com este tipo de sentimento. Aqueles homens chegaram a cogitar matar o próprio irmão.

A ideia era matar José, jogar num buraco e publicar a notícia de que ele havia sido morto por algum animal. Era uma tentativa de apagar aqueles sonhos de José (vv. 19-20). No entanto, o primogênito de Jacó, Rúben, um pouco mais sensato, não queria que lhe tirassem a vida. Mas, o jogassem num buraco no deserto. Na verdade, seu plano consistia em livrar José e leva-lo de volta para casa (v. 21-22).
A inveja fez com que os irmãos de José arrancassem dele suas finas roupas que ganhara do seu pai e o jogassem no buraco, equivalente a uma cacimba, mas sem água (v. 24).

Enquanto José está naquela cacimba, seus irmãos avistam uma caravana de ismaelitas, vendedores e compradores de mercadorias. José foi vendido a eles como um escravo. José foi levado ao Egito (v.28). Ao que parece, Rúben havia se ausentado por um momento, enquanto os outros venderam seu irmão (vv. 29-30).

Veja irmãos, que aqueles homens não estavam felizes com o plano de Deus e achavam que eliminando José, aquilo que havia sonhado não aconteceria. Vocês conhecem o restante da história no livro de Gênesis. O plano de Deus não pode ser impedido. Todas as coisas cooperam para que o plano de Deus seja cumprido. O desígnio de Deus é perfeito e se cumprirá. O Seu plano é eficaz. Jó disse: “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido” (Jó 42.2). Sendo assim, aquilo que Deus nos prometeu em sua palavra ele cumprirá, não tenha dúvida.

III. O plano de Deus não exclui a responsabilidade do homem.

Os irmãos de José estavam errados e pecaram , mesmo que aquilo fizesse parte do plano de Deus. Essa é uma grande verdade da teologia: a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Vemos claramente que os irmãos de José foram movidos por ódio, ciúmes, inveja, o plano para matá-lo ou escondê-lo de seu pai, demonstram que estavam agindo pecaminosamente. Eles eram responsáveis por seus atos, embora eles estivessem dentro do plano de Deus. O Senhor é especialista em transformar o mal em bem para cumprir os seus propósitos.

IV. O plano de Deus não exclui o sofrimento.

Os irmãos de José forjaram uma situação para que Jacó pensasse que José havia morrido (vv. 31-36). Mataram um bode, melaram de sangue a roupa de José e entregaram a Jacó, para que ele pensasse que José foi morto por um animal. Jacó rasga suas vestes como um sinal de luto e tristeza (v.34). Jacó iria ficar de luto até a morte, onde se juntaria ao seu filho (v.35).

Aqui nós percebemos que o plano de Deus não exclui o sofrimento. O plano de Deus é belo, perfeito e santo. Mas isso não significa que não iremos ver ou sentir a dor. Muitas vezes questionamos o amor de Deus ou até a sua existência (“Será que Deus existe mesmo?”), quando estamos sofrendo. Mas pense no plano maior de Deus. José foi vendido por seus irmãos e dado como morto ao seu pai, mas lá na frente veremos como o plano de Deus foi bem traçado por Ele. Assim é a nossa vida, não percamos a esperança em Deus. Mesmo em dias difíceis, lembremos que os planos de Deus são melhores que os nossos. 

Conclusão
Nós somos como um tapete e Deus é o nosso tapeceiro. A canção de Stênio Március O tapeceiro descreve bem o que vimos nesta exposição.

Assista o vídeo abaixo e veja como tudo se explica e se encaixa no plano perfeito de Deus.


quarta-feira, 1 de março de 2017

O Grande Mandamento - Dt 6.1-9


1 Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o SENHOR, teu Deus, se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas para a possuir; 2 para que temas ao SENHOR, teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados. 3 Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os cumprires, para que bem te suceda, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te disse o SENHOR, Deus de teus pais. 4 Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.5 Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.6 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; 7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. 8 Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. 9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas. (Deuteronômio 6:1-9 [ARA])

Introdução
Nesta passagem das Escrituras temos um aprofundamento da primeira parte do Decálogo, ou seja, dos quatro primeiros mandamentos relacionados à pessoa de Deus (cf. Ex 20.1-4; Dt 5.5-10). Aqui podemos perceber o âmago e a essência da lei de Deus. Israel é exortado a cumprir e guardar as ordens de Deus, bem como reverenciá-lo. Esse ensinamento deveria seguir para as próximas gerações e asseguraria a vida e a prosperidade do povo. Notaremos, portanto, nesta breve exposição, essas questões de forma mais detalhada.

1 – Uma lei para um povo (vv. 1-3)
O povo hebreu recebe as instruções de Deus, por meio de Moisés, para que fossem praticadas na terra que Ele havia prometido. Seguindo a percepção de Thompson, a versão NVI traz uma melhor tradução para a palavra mitsvá (traduzida por mandamentos pela ARA, v. 1)* . Não se trata de um termo plural, mas singular, ou seja, lei, conforme traduz a NVI. A ideia é que Deus deu apenas uma lei para o seu povo, constituída de decretos e ordenanças gerais, mas que visam um único propósito: temer ao Senhor (v. 2).

O termo temer (v. 2) traz a ideia de medo, receio ou temor reverente. Há ocasiões em que Deus diz para os seus servos não temerem (cf. Gn 26.24). O que significa, portanto, temer ao Senhor? É uma atitude de reconhecimento do poder e status da pessoa reverenciada. Deus deu a Sua lei para que o Israel seguisse os seus preceitos em temor, isto é, para que fizessem a Sua vontade e não se desviasse dEle. O contínuo reconhecimento de quem Deus é nos impede de seguir o caminho errado.

O ato de Deus dar as Suas leis para o povo hebreu era uma demonstração de particularidade entre Javé e Israel. “Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos. Aleluia!” (Sl 147.20).
A lei de Deus deveria ser ensinada para as próximas gerações (v. 2), desta forma o povo seria abençoado em crescimento e iria usufruir da terra prometida. Para que a vida dos hebreus fosse segura em Deus, necessitariam estar em contato com as suas instruções. É como declarou o salmista sobre o que medita na lei de Deus: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.3, ARA).
O compromisso com a Palavra de Deus – leitura e meditação – nos capacita a reverenciá-lo, e isso nos dará melhores condições para usufruir das promessas de Deus.

2 – O grande mandamento (vv. 4-9)
Esta breve passagem é conhecida pelos judeus durante séculos como o Shemá (“Ouve”, em hebraico), a qual é recitada juntamente com Dt 11. 13-21 e Nm 15.37-41 como oração diária. Com respeito à declaração “o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (v. 4, ARA), há diversas traduções gramaticalmente possíveis, como: “Javé nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé somente”**.  Porém, é mais compreensível que se trata de uma declaração da unicidade de Deus. Ou seja, “o Senhor é Deus, o Senhor é único”.

Essa declaração traz algumas implicações para o povo de Deus: 1) A monolatria deveria ser totalmente abandonada, isto é, admitir que existam outros deuses, mas que apenas um deve ser adorado; 2) Deus fala contra o politeísmo, pois somente Ele é Deus e não existe nenhum outro. O Senhor demonstrou isso ao ridicularizar os deuses do panteão egípcio (cf. Ex 12.12; 15.11); e 3) Nada nem ninguém pode tomar o lugar de Deus (Isaías 42.8).

O grande mandamento consiste em amar a Deus “de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (v. 5). Quando perguntado sobre qual era o principal mandamento, Jesus citou esse mandamento (Mc 12.29-30; Mt 22.37; Lc10.27). Esse mandamento consiste em uma síntese de todos os mandamentos relacionados à pessoa de Deus. Israel deveria ter um relacionamento íntimo com Deus em amor, não obedecê-lo de maneira legalista, fria, tendo que fazer o dever pelo dever. A motivação do coração deveria ser santa, amando de coração ao Senhor.

Amar de todo o coração, de toda a alma e de toda a força, significa amar a Deus com todo o ser. Deus deve ser amado sem quaisquer reservas. E amar a Deus está relacionado a obedecer aos seus mandamentos.

As palavras de Deus devem estar no coração dos seus servos (v. 6). O indivíduo demonstra que ama a Deus praticando os seus mandamentos. Jesus também ensinou dizendo: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14.21). O amor é uma expressão de lealdade. Como Deus é o único Senhor, somente Ele deve ser amado pelos seus servos.

A disposição para amar a Deus abrange todas as áreas da vida. Envolve tanto obedecer como ensinar para as próximas gerações (vv. 7-9), de maneira que em todas as épocas o Seu nome ficasse gravado, os seus feitos fossem recordados, e a Sua lei seja obedecida. O salmista nos exorta a fazer isso: “O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez” (Sl 78.3,4).

Conclusão
Não basta apenas alguém dizer que ama a Deus. Isso deve ser perceptível, deve ser notado pela prática da Sua Palavra. O amor para com Deus deve ser maior do que tudo, deve ser total. Somente Ele é Deus e não podemos colocar nada ou ninguém no lugar que pertence apenas a Ele (Is 42.8). A obediência a Sua lei nos ajuda a temê-lo, que por sua vez nos ajuda a vivermos de maneira tranquila diante dEle. Não podemos deixar de falar as Suas verdades aos nossos filhos. Nosso lar deve ser um ambiente em que Deus é o centro.

Notas:
*THOMPSON, 1982, p. 116.
**Ibid, p. 117.